Fotos: Duda Menegassi

A pegada amarela, marca registrada da sinalização da Trilha Transcarioca. Fotos: Duda Menegassi

No último sábado (24), o dia nublado não impediu que 148 voluntários e 45 monitores ambientais vestissem mais uma vez a camisa do Mutirão da Transcarioca, que em sua segunda edição priorizou renovar e expandir a sinalização em diversos trechos dos cerca de 180 km que compõem o percurso total da trilha. A ação se dividiu entre o Parque Nacional da Tijuca, Parque Estadual da Pedra Branca, o Parque Natural Municipal de Grumari e o Monumento Natural Municipal dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca.

O principal objetivo do mutirão foi implementar a nova sinalização padrão da Transcarioca, que mantém a tradicional marca com a pegada amarela, porém agora aplicada sobre um retângulo preto que facilita a visibilidade. A pegada pura, sem o fundo escuro para contrastar, passava facilmente despercebida na mata. Além disso, as marcas, que antes eram feitas a cada 20 metros, passaram a ser mais espaçadas, exatamente por estarem mais visíveis, pois concluiu-se que não há necessidade de tanta poluição visual na floresta.

O gestor de voluntariado do ICMBio, responsável pelo Parque Nacional da Tijuca (PNT), Felipe Martins, explicou que a base preta foi feita com antecedência pelo parque para ter tempo de secar. “O legal mesmo é dar chance ao voluntário de pintar a própria pegada, símbolo da Transcarioca, e ser parte daquilo”. Segundo Felipe, o setor Floresta, concentrado no Alto da Boa Vista, teve o maior número de inscritos, 81, seguido pelo Parque Lage, com 68. Ambos têm atividades de voluntariado consolidadas que acontecem semanalmente e servem de modelo aos outros parques envolvidos.

Trechos Adotados

Foto: Duda Menegassi

Grupo de voluntários percorrendo a trilha.

Essa é apenas a segunda edição do grande mutirão Transcarioca. A primeira foi realizada em setembro de 2014. Entre os eventos, porém, as pegadas amarelas não pararam, nem as mãos dos voluntários. Ano passado, os organizadores resolveram incentivar a adoção de trechos da Transcarioca por grupos, como clubes de excursionistas, de montanhistas e empresas de turismo, que os percorrem rotineiramente e, portanto, podem acompanhar as necessidades de manejo. Os líderes desses grupos precisam antes participar de uma Oficina de Manejo e, ao consolidarem sua posição de adotante, ficam responsáveis pela organização de pequenos mutirões voluntários específicos no trecho. A iniciativa é organizada em conjunto com cada parque, que disponibiliza um ou dois monitores ambientais para acompanhar os participantes, além de material adequado à atividade programada.

O guia de turismo da AVEC Trilhas, Anderson Ribeiro, foi o primeiro líder a adotar um trecho. Ele escolheu o que vai da Capela Mayrink até a saída da Floresta em um percurso que inclui como atrativos o Museu do Açude e o Mirante da Cascatinha. Anderson já fez sete pequenos mutirões e tenta manter uma frequência de pelo menos um a cada 45 dias. Anderson comentou que os adotantes “são pessoas que costumam ter facilidade de acesso ao local, pessoas que moram próximo, ou usufruem dele e, por isso, são interessados em mantê-lo preservado”. Entretanto, dos cerca de 24 trechos que compõem a Transcarioca, poucos conseguiram uma “família adotiva”.

Ribeiro explica que “Cada líder se apresenta ao parque, fala quantos voluntários tem, e quanto mais, melhor pro parque, porque a demanda de trabalho de manejo é sempre maior que a equipe de funcionários disponível. O voluntariado é necessário e é importante mostrar esse trabalho para multiplicá-lo”.

O 2º mutirão da Trilha Transcarioca foi a primeira atividade de voluntariado do designer industrial, Daniel Carvalho. Apesar de ser trilheiro e nunca lhe ter faltado vontade, “não conhecia ninguém, nunca tinha recebido convite”. Quem o chamou foi a amiga Renata Brunhol, modelista que ainda não conhecia a Transcarioca. Ela soube do mutirão através de outro grupo de voluntariado, o “Pão de Açúcar Verde”, responsável por atividades de restauração ambiental no morro da Urca. Ambos reconheceram a importância da mão-de-obra voluntária para a preservação desses espaços que eles tanto usufruem. “Desde pequeno eu faço trilha e sempre encontrei sinalização e tudo arrumadinho, hoje tenho a chance de ser a pessoa que vai garantir que, amanhã, novos iniciantes vão encontrar tudo direitinho. Porque alguém faz, né? ”, disse Daniel.

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A secretária e trilheira Vanesa Amaral também não titubeia sobre qual é a maior dificuldade para se envolver com iniciativas voluntárias em parques: “Saber!”. Outros participantes confirmam que a divulgação ainda é limitada e isso dificulta que pessoas novas descubram a existência dessas oportunidades de trabalhos voluntários.

Esse segundo mutirão reuniu menos de um terço dos cerca de 600 envolvidos na primeira edição, ano passado. Felipe Martins acredita que fatores como o ENEM e tempo com chance de chuva diminuíram o interesse das pessoas em participar. Além disso, segundo ele, em 2014 havia o fator novidade, o que gerou uma cobertura de mídia maior. “Na minha concepção, o primeiro mutirão foi mais para apresentar ‘essa é a Transcarioca’. Hoje, quem é montanhista ou trilheiro já conhece, leu ou ouviu falar sobre a Transcarioca”, disse Anderson Ribeiro.

O presidente do Clube de Excursionistas Brasileiro (CEB), Horacio Ragucci, arrematou: “A Trilha Transcarioca vai avançando por espasmos, por assim dizer, porque dependemos muito dos voluntários e é difícil dar continuidade. Então, hoje estamos dando mais um saltinho”.

A expectativa dos organizadores é que o caminho esteja pronto e sinalizado, ao menos no sentido de ida (Guaratiba – Urca), até as Olímpiadas do Rio, em agosto de 2016, e possa ser mais um atrativo da extensa lista da cidade. O site da Transcarioca está previsto para ser lançado até o final do ano. Ele será produzido pelo Wikiparques e terá todos os trechos e seus respectivos níveis de dificuldade, informações de duração, altimetria, exposição solar, e outras.

O 2º Mutirão da Trilha Transcarioca foi organizado com apoio do ICMBio, INEA, Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC), Federação de Montanhismo do estado do Rio de Janeiro (FEMERJ) e Mosaico Carioca, com apoio do Instituto Semeia, Caminho Aéreo Pão de Açúcar, Trem do Corcovado e WWF.

 

Serviço:

O trabalho de voluntariado no Parque Nacional da Tijuca acontece nos seguintes dias e locais, semanalmente:

Terças-feiras: às 09h00 no Setor Floresta, no Alto da Boa Vista.

Quarta, às 9h, no Setor Serra da Carioca (Trilha Parque Lage x Corcovado: Horto e Paineiras).

Quintas-feiras: às 09h00, no setor Pedra da Gávea e Pedra Bonita (manutenção da trilha).

Sábados às 9h no Setor Floresta. Além de 15 domingos mensais.

O Parque Natural Municipal da Catacumba começou em setembro deste ano seu projeto de voluntariado e o trabalho está previsto para acontecer todo segundo domingo do mês, às 10h.

 

 

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