Rebrota a vida no solo de Veadeiros_Fernando Tatagiba

A vida rebrota e reaparece no solo e no céu de Veadeiros. Foto: Fernando Tatagiba


O Brasil inteiro assistiu entristecido as chamas consumirem vorazmente o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) no mês de outubro. A sequência de incêndios criminosos que consumiu 66 mil hectares da unidade de conservação transformou 28% das paisagens do parque, que possui um total de 240 mil hectares, em cinzas. Uma semana após o fim do fogo, o Cerrado prova sua resiliência e, aos poucos, a vegetação rebrota e os animais que foram afugentados pelas chamas retornam.

Tucanos, araras e outras aves são os primeiros a retornar, de acordo com registros dos moradores, e trazem cor aos troncos chamuscados. Uma prova da força da natureza, que resiste. Uma dessas provas foi encontrada pelo gestor do parque nacional, Fernando Tatagiba, enquanto avaliava uma área de vereda atingida pelo fogo, apenas poucos dias após o fim do incêndio. Conforme ele relata: “encontrei um ninho de arara. Intacto. A mãe desceu ao solo, bem do meu lado, pegou uma semente e levou pro seu filho, deixando traços de beleza e esperança”. 

Ninho de arara_Fernando Tatagiba

Arara avistada pelo gestor em área atingida pelo fogo, fazendo a cor voltar para Chapada. Foto: Fernando Tatagiba


Para proteger a fauna durante os incêndios, mutirões voluntários de veterinários e biólogos foram organizados para resgatar animais silvestres e conscientizar motoristas sobre os limites de velocidade com o objetivo de evitar o atropelamento de bichos em fuga, uma vez que o parque é cortado e cercado por duas importantes rodovias.

Organizações voluntárias foram fundamentais no combate às chamas em Veadeiros. Uma delas, a Rede contra Fogo reuniu mais de 200 voluntários durante o combate e agora iniciou uma campanha pós-incêndio para angariar recursos e capacitar oito brigadas voluntárias regionais, compostas por 12 pessoas cada. A meta da campanha é arrecadar R$ 574.710,00. De acordo com a idealizadora da rede, que é uma organização da sociedade civil, Sílvia Hennel, a meta é a prevenção. “Como a gente vai fazer ano que vem para que isso não aconteça de novo? Tem que capacitar todo mundo, todo mundo tem que saber mexer em um abafador, todo mundo tem que ter bomba costal em casa, fazer aceiro”, explica Sílvia.

Desde quarta-feira da semana passada (01/11), o parque foi oficialmente reaberto à visitação.

A resiliência do Cerrado

A resiliência é a capacidade de um determinado ecossistema em se recuperar após o fogo. No Cerrado existe uma variedade de ecossistemas, cada um com sua própria capacidade de resistir e de regenerar. Veredas e matas de galeria, por exemplo, são os que mais sofrem com um incêndio. Vegetações mais abertas, em contrapartida, como o cerrado stricto sensu, costumam se regenerar rapidamente, uma vez que o fogo é também um elemento natural do bioma. A origem criminosa, entretanto, resulta em incêndios maiores e mais frequentes que comprometem a regeneração mesmo dos ecossistemas mais adaptados ao fogo.

 

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