Parque Estadual Rio Negro Setor Sul

Distante 34 quilômetros de Manaus, o Parque Estadual Rio Negro Setor Sul é parte integrante da chamada Reserva da Biosfera da Amazônia Central, que por sua vez está inserida no Corredor Ecológico Central da Amazônia.

O parque abriga uma espécie da fauna que consta na lista de animais ameaçados de extinção do IBAMA, o caso do cuxiú (Chiropotes satanas). Esta espécie foi bastante citada pelos moradores como alvo de caça e, por isso, merece, atenção especial, pois além de estar na lista do IBAMA, também apresenta suscetibilidade à pressão de caça.



Parque Estadual Rio Negro Setor Sul
Esfera Administrativa: Estadual
Estado: Amazonas
Município: Manaus
Categoria: Parque
Bioma: Amazônia
Área: 77950,59
Diploma legal de criação: Decreto nº 24805, de 19/01/2005
Coordenação regional / Vinculação: Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas
Contatos: Av. Mário Ypiranga Monteiro, Nº3280 - Manaus/AM - CEP: 69.050-030

E-mail: demuc.sema@gmail.com
Telefone: (92) 3642-4607

Índice

Localização

Localizado no município de Manaus e distante 34 quilômetros da sede municipal, o Parque é parte integrante da chamada Reserva da Biosfera da Amazônia Central, que por sua vez está inserida no Corredor Ecológico Central da Amazônia.

Como chegar

O acesso é feito somente por via fluvial através do Rio Negro. Para se chegar, existem linhas regulares de barco tipo recreio, que levam aproximadamente 3 horas até as primeiras comunidades do interior do Parque localizadas no Rio Negro, e 5 horas até as comunidades na foz do Rio Cuieiras. Estes barcos saem do chamado Porto da Compensa, com freqüência de 3 vezes por semana. Ainda pelo rio é possível alugar botes de alumínio motorizados (voadeiras). Estas embarcações levam cerca de 1,5h para chegar ao PAREST Rio Negro Setor Sul e podem ser alugadas nas marinas da Ponta Negra e Tarumã.

Ingressos

Onde ficar

Existem vários hotéis de selvano Baixo Rio Negro, o que representa uma possibilidade de incremento da demanda atual do Parque, particularmente em função da proximidade. Entre eles, podem ser citados: Acajatuba Jungle Lodge, Ariaú Jungle Towers, AmazonJungle Palace, Lago Salvador e Tiwa Amazonas Resort. Também há um hotel de selva em fase de construção, nas proximidades da cidade de Novo Airão, e outros ainda em planejamento.

Objetivos específicos da unidade

Preservar os ecossistemas naturais englobados, contra quaisquer alterações que os desvirtuam, destinando-se a fins científicos, culturais, educativos e recreativos.

Histórico

Na década de 1990, mais precisamente em abril de 1995, o Estado do Amazonas criou várias unidades de conservação na região do baixo Rio Negro, dentre as quais o PAREST Rio Negro Setor Sul. Esta UC está inserida no Corredor Ecológico Central da Amazônia, maior área de proteção ambiental contínua do mundo, sendo área piloto do Projeto Corredores Ecológicos, do Ministério do Meio Ambiente. Também é parte integrante do Mosaico de Unidades de Conservação do baixo Rio Negro que caminha para a sua criação.

Em setembro de 2004, o IPAAM, que na época era o órgão gestor do Parque, elaborou o “Projeto de Ações Emergenciais para Implantação do Parque Estadual do Rio Negro Setor Sul”. O objetivo do projeto era contribuir para o fortalecimento comunitário das populações residentes no Parque, visando promover a proteção ambiental efetiva desta UC. Apesar da expectativa de implementar as ações previstas no prazo de um ano, acredita-se que muito pouco foi efetivamente realizado.

Atrações

O potencial turístico do PAREST Rio Negro Setor Sul é grande em função de sua beleza cênica, da possibilidade de visualizar a fauna amazônica e da existência de belas cachoeiras no período da seca. O Parque também possui sítios arqueológicos representativos e em bom estado de conservação. Com estas características o turismo, quando implantado com bases sustentáveis, pode possibilitar a geração de emprego e renda para as comunidades localizadas no entorno do Parque.

No interior e entorno do PAREST Rio Negro Setor Sul foram localizados dez sítios arqueológicos, sendo que metade está dentro do parque e metade na região do entorno. Dentre estes, o Sítio Nilton Lins é o único situado em propriedade particular, os demais estão nas áreas das comunidades. Algumas dessas comunidades são indígenas, de etnias oriundas de diversas localidades, sobretudo do Alto Rio Negro. Por estarem longe do centro urbano ou da área de expansão da cidade de Manaus, os sítios ali cadastrados apresentam bom estado de preservação, em geral maior que 75%.

O Parque possui ainda alguns atrativos em potencial para o turismo, como: trilhas simples, cachoeiras, campinas, campinarana e igapós.

Aspectos naturais

Geologia

Geologicamente, o Parque Estadual Rio Negro Setor Sul faz parte de uma extensa cobertura sedimentar fanerozóica, distribuída nas bacias do Acre, Solimões, Amazonas e Alto Tapajós, depositada sobre um substrato rochoso pré-cambriano, onde predominam rochas de natureza ígnea, metamórfica e sedimentar.

Regionalmente, as maiores entidades tectônicas são representadas pelas duas porções do Cráton Amazônico, correspondendo a duas áreas pré-cambrianas: o Escudo das Guianas, ao norte da Bacia Amazônica, e o Escudo Brasileiro, do lado sul. Entre estes crátons desenvolveu-se, ao largo de sucessivas fases tectônicas, uma extensa cobertura sedimentar, que ao longo da história geológica preencheu este vale tectônico.

Solo

Os solos são: Latossolo Vermelho Amarelo; predominantemente, Podzólico Hidromórfico e Hidromórfico Gleizado.

Hidrografia

O Parque está situado no terço inferior da bacia hidrográfica do Rio Cuieiras e ao longo da margem direita da bacia do Igarapé Tarumã-Mirim. A bacia do Rio Cuieiras drena uma área total da ordem de 3.200Km2, enquanto a bacia do Igarapé Tarumã-Mirim tem aproximadamente 470Km2 de área drenada. Os principais igarapés tributários formadores da bacia do Rio Cuieiras são: rios Branquinho e Cuieiras e os igarapés Goela, Tucunaré, Ambrósio, Cachoeira, Tucumã e Coanã.

Relevo e clima

Relevo

Parte do Parque (Cuieiras) apresenta relevo dissecado em interflúvios tabulares com cotas altimétricas em torno de 100m-150m, correspondendo à porção mais rebaixada do Planalto Rebaixado da Amazônia, que vem desde o Escudo Guianense num suave mergulho até as planícies do Rio Amazonas. Essa unidade de relevo situa-se nas duas margens do Rio Cuieiras, contígua às áreas de planície de inundação deste rio, ocupando uma extensão de aproximadamente ~1.900km2 e perfazendo ~40% da área, sendo assim a segunda maior unidade deste mapeamento. Trata-se do prolongamento sul da superfície aplainada da porção sul da sinéclise do Amazonas, onde afloram os depósitos paleozóicos da região de Balbina-Presidente Figueiredo. Na área de estudo, esta unidade de relevo se limita a sul-sudeste, com as áreas de acumulação inundáveis do Rio Amazonas.

Clima

O período chuvoso vai de janeiro a abril, sendo março e abril os meses mais chuvosos, com médias de 294.7 e 289 mm. O período seco vai de junho a setembro, sendo o pico da estação seca o mês de agosto, com média de 63.3 mm. Entretanto, existe grande variação sazonal dentro de cada mês no regime de precipitação. Nos meses mais chuvosos, a precipitação pode ser inferior a 100 mm ou passar de 600 mm e, nos meses mais secos, pode não chover ou chover até mais de 200 mm.

Fauna e flora

Fauna

O parque abriga uma espécie da fauna que consta na lista de animais ameaçados de extinção do IBAMA, o caso do cuxiú (Chiropotes satanas). Esta espécie foi bastante citada pelos moradores como alvo de caça e, por isso, merece, atenção especial, pois além de estar na lista do IBAMA, também apresenta suscetibilidade à pressão de caça.

Na margem esquerda do Rio Cuieiras, mais precisamente na porção Sul do Parque, destaca-se a presença do sauim-de-coleira Saguinus bicolor, uma espécie endêmica e criticamente em perigo de extinção.

Dois dos principais afluentes do Rio Cuieiras na área do Parque, o Igarapé Tucumã e o Rio Branquinho, abrigam uma rica fauna com 35 espécies cada um. A compilação de todos os dados disponíveis sobre o Rio Cuieiras resultou em 197 espécies de peixes.

As espécies da herpetofauna registradas no Parque não apresentam endemismo para a localidade. Entre as espécies de anfíbios e répteis listadas, nenhuma é considerada como ameaçada, vulnerável ou em risco de extinção.

Flora

Floresta Ombrófila Densa, pela Floresta Submontana ou pela Floresta de Terras Baixas. A maior parte da terra firme da UC apresenta Floresta Ombrófila Densa. A Floresta de Terras Baixas ocorre nas proximidades do Rio Apuaú, e a Floresta Submontana, no interflúvio dos rios. Entre a BR-174 e a bacia do Rio Cuieiras foram encontrados 771 indivíduos em 50 famílias, 120 gêneros e 239 espécies. É característico da área de terra firme em Anavilhanas a presença de três estratos bem definidos, com poucas epífitas e cipós. As famílias com maior número de espécies foram: Sapotaceae, Chrysobalanaceae, Caesalpinaceae, Burseraceae, Lecythidaceae, Moraceae e Myristicaceae.

Problemas e ameaças

Caça e pesca comercial; extração de madeira; queimadas; extração mineral; turismo desordenado.

Fontes

http://sistemas.mma.gov.br/cnuc/index.php?ido=relatorioparametrizado.exibeRelatorio&relatorioPadrao=true&idUc=1006

http://observatorio.wwf.org.br/site_media/upload/gestao/planoManejo/Rio_Negro_Sul.pdf