Parque Estadual do Ibitipoca

Um dos parques mais visitados de Minas Gerais, o Parque Estadual do Ibitipoca (PEIb) recebe milhares de turistas anualmente que buscam conhecer o encanto de suas cachoeiras, trilhas, picos, piscinas naturais, grutas e mirantes. Criado em 1973, o PEIb ajuda a proteger quase 1.500 hectares de Mata Atlântica e é um importante reduto para fauna e flora nativa do bioma.


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Parque Estadual do Ibitipoca
Esfera Administrativa: Estadual
Estado: Minas Gerais
Município: Lima Duarte e Santa Rita do Ibitipoca
Categoria: Parque
Bioma: Mata Atlântica
Área: 1.488 Hectares
Diploma legal de criação: Lei Estadual nº 6.126 de 4 de julho de 1973.
Coordenação regional / Vinculação: Instituto Estadual de Florestas - Zona da Mata
Contatos: (32) 3281-1101

peibitipoca@meioambiente.mg.gov.br

Índice

Localização

O Parque Estadual do Ibitipoca (PEIb) foi criado em 4 de julho de 1973, por meio da Lei 6.126, abrangendo os municípios de Lima Duarte na sua porção sul e sudoeste; Santa Rita de Ibitipoca ao norte e Bias Fortes ao leste. Encontra-se entre as coordenadas 21° 42’S e 43° 54’W, com área de 1.488 ha. O PEIb está localizado no sul do Estado de Minas Gerais, na região de planejamento do Estado, definida formalmente como “Zona da Mata”, na microregião de Juiz de Fora.

Como chegar

Para se chegar ao Parque Estadual do Ibitipoca a partir do município de Belo Horizonte, o acesso é feito na direção de Juiz de Fora pela BR-040. Antes da chegada à referida cidade, entra-se no trevo de acesso (BR-267), prosseguindo em direção a Lima Duarte. Para chegar ao distrito de Conceição de Ibitipoca são 27 km de estrada de chão e mais 3 km até a portaria do Parque. Para se chegar ao PEIB, os meios de transporte comumente utilizados são o automóvel, em sua maioria (75%) e 20% de ônibus (Plano Diretor de Organização Territorial e Desenvolvimento do Turismo em Conceição do Ibitipoca, 2000). Ao se locomover com o automóvel, o visitante tem a disponibilidade de, inclusive, estacioná-lo dentro do Parque.

Já o deslocamento feito por ônibus, leva o visitante até Lima Duarte, e daí até Conceição do Ibitipoca, sendo necessário que este se desloque por mais 3 km até o Parque em veículo locado. O trajeto que vai de Lima Duarte a Ibitipoca leva, em média, 1h15m.

O Parque está localizado a 80 km de Juiz de Fora, 260 km do Rio de Janeiro, 340 km de Belo Horizonte e 470 km de São Paulo

Ingressos

Taxa de visitação (valores por pessoa pago na portaria do parque):

R$ 10,00 de terça à sexta-feira

R$ 20,00 sábados, domingos e feriados

R$ 50,00 passeio de bicicleta (Agendamento prévio)

OBS: O Parque não aceita cartões.


  • Horários:

O Parque Estadual do Ibitipoca fica aberto de terça a domingo, de 7h às 18h.

Entrada de visitantes até às 17h.

Campistas até às 17:30h.

Centro Administrativo: de 8h às 17h, de segunda à sexta-feira.

Centro de Visitantes: de 8h às 13h em dias úteis e de 8h às 15h em finais de semana e feriados.

Loja de souvenirs: aberta de 08h às 17h.

Onde ficar

O Parque possui camping (capacidade para 24 barracas). Existem pousadas no distrito de Conceição do Ibitipoca e diversas opções de hospedagem no município de Lima Duarte.

Objetivos específicos da unidade

Histórico

Os primeiros relatos sobre a região datam de 1692. O "Monte de Ebitipoca" foi citado pelo padre João de Faria Fialho e, já no século seguinte, a região possuía mais de 5 000 moradores em decorrência da procura pelo ouro. Após a descoberta do mineral na antiga Vila Rica, atual Ouro Preto, houve um grande êxodo da região e apenas a população mais humilde permaneceu no local.

Durante o século XVIII, a região de Conceição do Ibitipoca, assim como outros locais próximos, se constituiu em rota de contrabando do ouro, através de um caminho que partia de São João Del Rei, passava por Santa Rita de Ibitipoca, por Conceição do Ibitipoca, pela área do Rio do Peixe, Lima Duarte, prosseguindo para Rio Preto e depois para Paraíba do Sul.

Em Conceição de Ibitipoca, nasceu o cônego Manoel Rodrigues da Costa, importante figura que veio a se destacar na Inconfidência Mineira.

No século XIX, acredita-se que não houve grandes modificações na realidade de Conceição do Ibitipoca. Devido à ascensão do povoado do Rio do Peixe, Conceição do Ibitipoca foi tornando-se uma localidade remota, ficando relativamente esquecida. Porém, deve-se destacar a criação da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca e a integração do distrito ao município de Lima Duarte.

Embora sem grande expressão econômica ao longo da história de Minas Gerais, a região de Conceição do Ibitipoca atraiu cientistas e viajantes estrangeiros, pelas peculiaridades de sua paisagem e de sua flora. Em 1822, o botânico Auguste de Saint-Hilaire assim descreveu a localidade: " … atravessamos primeiro a vila de Ibitipoca, que conhecia mal e julgava ainda mais insignificante do que realmente é. Fica, como já expliquei, situada numa colina e se compõe de uma pequena igreja e meia dúzia de casas que a rodeiam, cuja maioria está abandonada, além de algumas outras, igualmente miseráveis, construídas na encosta da outra colina. Não estranha, pois, que inutilmente haja eu procurado, ontem, nesta pobre aldeia, os gêneros mais necessários à vida."

Visitaram também a serra e a descreveram uma comissão científica em 1906 e Alvaro Astolfo da Silveira em 1922, além de outros cientistas em épocas posteriores.

O Parque Estadual do Ibitipoca (PEIb) foi criado através da Lei 6.126 de 4 de julho de 1973.

Parte do filme brasileiro O Diabo a Quatro (2004) foi rodada em Conceição do Ibitipoca.

Atrações

Entre os atrativos do parque estão mirantes, grutas, picos e praias, piscinas naturais, cachoeiras formadas pelos rios do Salto e Vermelho e o Córrego do Monjolinho, para conhecê-los o Parque Estadual do Ibitipoca oferece três circuitos principais:

  • Circuito das Águas (5km) - o roteiro mais visitado do parque pela fácil acessibilidade. Entre os atrativos deste percurso estão: Cachoeira dos Macacos, Lago das Miragens, Prainha, Ponte de Pedra, Lago dos Espelhos, Gruta dos Coelhos, Lago Negro, Praia das Elfas e Gruta dos Gnomos.


  • Circuito Pico do Peão (9km) - este percurso leva o visitante ao segundo ponto mais alto do parque, o Pico do Peão (1.720 metros). Além deste, outros atrativos são a Gruta do Peão, a Gruta dos Viajantes e o Monjolinho.


  • Circuito Janela do Céu (16km) - o maior percurso do parque guarda também um dos cartões-postais da Unidade de Conservação, a Janela do Céu. No caminho para o céu está, ironicamente, o ponto mais alto do parque, o Pico da Lombada, com aproximadamente 1.784 metros de altitude e uma vista panorâmica de toda a região do Ibitipoca. Os outros atrativos deste roteiro são: Gruta do Fugitivo/Três Arcos, Gruta da Cruz, Gruta dos Moreiras, Cachoeirinha e o monumento histórico, Cruzeiro.

Aspectos naturais

O Parque Estadual do Ibitipoca situa-se no domínio fitogeográfico da Floresta Atlântica. Inserida em meio à Cordilheira da Mantiqueira, em sentido paralelo a Serra do Mar, a Serra do Ibitipoca constitui-se em uma elevação rochosa com altitudes variando entre 1.100 e 1.782 m, onde predominam vegetações campestres denominadas, genericamente, por campos de altitude. Seus campos apresentam fisionomia com semelhanças aos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais e Bahia, mas sua flora recebe forte influência de elementos da Floresta Atlântica.

A principal drenagem da Serra do Ibitipoca é o Rio do Peixe, cujo afluente Rio do Salto nasce na Serra, dividindo-a em duas faces ou flancos escarpados. Na Serra do Ibitipoca existe uma grande quantidade de pequenos córregos e riachos, mas apenas os rios do Salto e Vermelho apresentam volume razoável e parte de seus leitos dentro da área do Parque.

Relevo e clima

O clima da Serra do Ibitipoca é classificado como tropical de altitude mesotérmico, com inverno frio e seco e chuvas elevadas no verão. Apresenta temperaturas médias de 12 a 15 °C na época mais fria e entre 18 a 22 °C na época mais quente. Além disso, a precipitação pluviométrica está em torno de 200 a 500 mm ao mês nos períodos chuvosos, principalmente de novembro a março, e em média, menos de 20 mm ao mês na época seca, chegando a menos de 6 mm ao mês.

A Serra do Ibitipoca localiza-se nos limites de dois domínios geomorfológicos sob forte controle estrutural, denominados “Serra da Mantiqueira” e “Planalto de Andrelândia”. Esses domínios são formados predominantemente por suaves colinas, pouco resistentes à erosão. Em alguns locais, essas elevações suaves do terreno são intercaladas por cristas isoladas e alongadas, com vales profundos e serras escarpadas de grandes dimensões. Nas bases das encostas mais íngremes imensos colúvios arenosos são formados pelos solos transportados ao longo das encostas de morros. O “Planalto de Andrelândia” está associado a solos principalmente ácidos, saturados por alumínio e pouco férteis. As altitudes médias variam em torno de 950 a 1.100 m, atingindo 1.300 m nas proximidades da Serra do Ibitipoca.

A Serra do Ibitipoca, juntamente com a Serra Negra que lhe é vizinha, forma um dos conjuntos de relevos mais elevados da região de Lima Duarte. Os contrafortes da Serra do Ibitipoca são emoldurados por escarpas abruptas, sendo em parte formados com colúvios arenosos ou recobertos por cascalheiras grosseiras, com mais de 5m de espessura.

No Planalto dissecado no entorno da Serra, as formas de relevo são predominantemente colinosas, com morros de topos convexos até tabulares com vertentes convexizadas, intercaladas por cristas alongadas e assimétricas. É comum a ocorrência de grandes voçorocas, a maioria natural e estabilizada, com extensão e largura variáveis. Formam-se geralmente nos contatos geológicos, zonas de falhas e fraturas e sempre relacionadas à instabilidade dos mantos de intemperismo de rochas ricas em micas. O relevo da Serra do Ibitipoca é condicionado pela estrutura e litologia, sendo constituído por duas escarpas resultantes da erosão diferencial de rochas dobradas pela tectônica. As grandes dobras formaram uma grande ferradura, característica marcante da paisagem do Parque.

Fauna e flora

A fauna é rica, com a presença de espécies ameaçadas de extinção, como a onça parda, o lobo guará e o primata guigó. Aparecem também os macacos barbado, sauá (sagui), o papagaio do peito roxo, o coati, o andorinhão-de-coleira falha, entre outros. Dentre os anfíbios encontra-se uma espécie de perereca, a "Hyla de Ibitipoca", que foi identificada pela primeira vez na região.

A vegetação do Parque é representada por um mosaico bastante diverso, composto por manchas de floresta ombrófila densa altimontana (mata nebular) e montana; floresta estacional semidecidual montana; candeial; campos arenosos; campos rupestres arbustivos; campos rupestres sensu stricto; campos encharcáveis; cerrado de altitude; formações peculiares dos paredões abruptos, das entradas das cavernas e das margens dos cursos d’ água; samambaial, além dos campos gerais do entorno do parque. Nas áreas de transição entre as florestas ombrófilas e as formações campestres do Parque, geralmente em locais de solos mais rasos que impedem o desenvolvimento da floresta, ocorrem os candeiais. Essa formação, característica da região, ocupa quase 17% da área total do Parque.

Diversas espécies da flora são encontradas na unidade de conservação como orquídeas, bromélias, candeias, líquens e samambaias. Um traço marcante da vegetação no Ibitipoca são as "barbas-de-velho", uma espécie de líquen verde-água, que pende dos galhos das árvores, provocando um belo efeito visual. Os campos rupestres constituem uma grande extensão de vegetação do Parque.

Quanto às espécies arbóreas e aos ambientes florestais do Parque Estadual do Ibitipoca, apenas duas espécies exóticas foram observadas: uma árvore de araucária (Araucaria angustifolia) isolada em ambiente campestre e moitas de capim gordura (Melinis minutiflora), em ambientes em estágios iniciais de regeneração com potencial de vir a ser florestas, apesar de esta espécie ocorrer com mais freqüência em sítios em meio aos campos de altitude.

Segundo relato de funcionários do parque, a árvore de araucária foi plantada por antigos ocupantes da serra, antes da área ser decretada unidade de conservação. É um testemunho histórico das atividades que havia na região e como tal poderá ser utilizada para resgatar estes aspectos. Além disto, não se observou nenhum indivíduo jovem desta espécie, indicando que ela não representa nenhuma ameaça como invasora. Portanto, conclui-se que não há necessidade de eliminar esta planta.

No caso do capim gordura, esta espécie provavelmente colonizou a Serra do Ibitipoca na época em que a área era utilizada como pastagens de gado. Segundo relatos, a incidência deste capim vem reduzindo ao longo dos tempos, em parte devido às ações de erradicação que funcionários têm implementado e também pela retomada de espécies nativas graças à estabilidade ambiental local após a retirada do gado.

Problemas e ameaças

Pressão do crescimento urbano, falta de recursos e de funcionários, falta de fiscalização no entorno, erosão e abertura de caminhos, caça ilegal e entrada clandestina no parque. Retirada de espécies de plantas.

Fontes

  • Lei de criação do Parque

http://www.ief.mg.gov.br/images/stories/Ibitipoca/lei6126.pdf

Plano de Manejo do Parque Estadual do Ibitipoca (2007)

http://www.ief.mg.gov.br/component/content/192?task=view

http://www.ibitipoca.tur.br/parque/