Reserva Biológica do Guaporé

RESERVA BIOLÓGICA DO GUAPORÉ, a segunda maior unidade de conservação desta categoria no Brasil, foi intitulada, em 2017, como Sítio RAMSAR - Área Úmida de Importância Internacional. Ainda, é internacionalmente reconhecida por compor uma “Área Importante para a Conservação das Aves” - IBA (do inglês Important Bird Area, Bird Life International 2014), e considerada de “Extrema Importância” para a conservação de aves pelo Programa Nacional da Diversidade Biológica, tendo como principais ações recomendadas a proteção e a realização de inventários biológicos (MMA 2007).

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Reserva Biológica do Guaporé
Esfera Administrativa: Federal
Estado: Rondonia
Município: São Francisco do Guaporé (RO), Alta Floresta D'Oeste (RO).
Categoria: Reserva Biológica
Bioma: Amazônia
Área: 615.771,56 hectares
Diploma legal de criação: Decreto nº 87.587 de 20 de setembro de 1982
Coordenação regional / Vinculação: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

CR1 – Porto Velho

Contatos:

Gestor: Celso Costa Santos Júnior
Endereço: Avenida Cabixi nº 1942 CEP: 76937000
Bairro:"' Centro
UF: RO
'Cidade:" Costa Marques
Site:
'Telefone(s):" (69) 36513782, (61) 33419756
E-mail: celso.santos@icmbio.gov.br, rebio.guapore@icmbio.gov.br

Índice

Localização

Como chegar

Se houver necessidade de adentrar os limites da reserva, favor entrar em contato com a administração para obter autorização.

Ingressos

A categoria RESERVA BIOLÓGICA não permite a visitação pública, exceto previsões no plano de manejo da UC.

Onde ficar

Objetivos específicos da unidade

Preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as medidas de recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos naturais.

A Reserva Biológica do Guaporé foi criada com o objetivo de proteger uma amostra representativa do ecossistema de transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica, bem como as amostras dos ecossistemas aquáticos de rios, lagos, campos e florestas inundáveis, e ainda preservar espécies raras, ameaçadas ou em perigo de extinção.

Histórico

Atrações

Aspectos naturais

Relevo e clima

Relevo

A área da Reserva Biológica do Guaporé está assentada sobre os sedimentos da unidade geomorfológica denominada "Depressão Guaporé&", que se caracteriza por uma extensa superfície pediplanada com altitudes que variam entre 100 e 150 metros, com ocorrência de áreas de acumulação permanente de água (alagados) e áreas sujeitas a inundações periódicas, sob maior influência hidrográfica dos rios Guaporé, São Miguel, Branco e Massaco, sendo os dois primeiros de extrema importância para a proteção desta Unidade de Conservação, uma vez que são seus limites noroeste, oeste e sudoeste, além de atuarem como uma barreira natural contra a invasão de madeireiros e grileiros.

Solo

A Reserva Biológica do Guaporé possui nove tipos de solos, a saber: Latossolo Amarelo, Laterita Hidromórfica, Cambissolo, Latossolo Vermelho Amarelo, Podzólico Vermelho Amarelo Distrófico, Podzólico Vermelho Amarelo Eutrófico, Solos litólicos, Gley pouco Húmico ou Gleissolos e Areias Quartzosas Distróficas. Destaque para os três tipos predominantes: GLEISSOLOS: ocorrem nas margens dos rios São Miguel, Branco e Guaporé, sendo solos pouco desenvolvidos, com drenagem precária, lençol freático próximo da superfície e sujeito a inundações sazonais, possuindo déficit acentuado de oxigênio, o qual restringe o crescimento vegetal. LATERITA HIDROMÓRFICA ÁLICA: solo caracterizado pela presença de material argiloso altamente intemperizado, rico em sesquióxido e pobre em húmus, transformando-se em concreções (petrifica) quando exposto à secagem, característica que demonstra o prejuízo ambiental caso esses tipos de solos sejam drenados. LATOSSOLOS AMARELO ÁLICO: presente nas regiões cobertas por ambientes florestais, sendo um tipo de solo mineral, profundo, bastante permeável e muito poroso. Está associado à Laterita Hiromórfica Álica entre outros, em relevo plano e suave ondulado.

Geologia

O Craton do Guaporé, entidade geotectônica de grande realce no Brasil Centro-Ocidental, envolve quase que a totalidade da área da REBIO do Guaporé. Suas exposições basais são representadas pelos polimetamorfitos do Complexo Xingu que ocorrem em uma faixa alongada segundo NO-SE. A oeste e ao norte da área são visíveis corpos vulcanoplutônicos de efusivas ácidas e intermediárias, além de granitos magmáticos provavelmente relacionados à reativação da Plataforma Sul-Americana, constituindo a unidade litoestratigráfica aqui postulada como Grupo Costa Marques, cuja idade corresponde ao Pré-Cambriano Superior. Ao sul delineia-se a sequência, considerada como cobertura de plataforma, correspondente à Formação Aguapeí. A nordeste sobressaem-se os sedimentos fanerozóicos da Formação Pimenta Bueno, Arenito da Fazenda Casa Branca e Formação Botucatu. Na porção central e a leste ocorrem, respectivamente efusivas básicas de idade jurássica e os sedimentos cretácicos que constituem a Formação Parecis, enquanto que os sedimentos cenozóicos, denominados informalmente de Cobertura do Rio Guaporé, aparecem estritamente vinculados à bacia hidrográfico do rio homônimo. Corpos intrusivos básicos e intermediários, juntamente com outros de composição ultrabásica, ocorrem aleatoriamente quer na faixa do embasamento ou emergindo entre a Cobertura do Rio Guaporé. Sob o ponto de vista metalogenético a região apresenta-se favorável principalmente a mineralização de ouro, diamante, cassiterita, cobre, chumbo, zinco, cobalto e níquel.

Hidrologia

A rede hidrográfica da área da Reserva Biológica do Guaporé pertence á bacia do rio Madeira, afluente do rio Amazonas pela margem direita. Os cursos que têm origem estudada são tributários do rio Guaporé, divisa natural, nesta área, entre o Brasil e a Bolívia. São rios de planície que inundam facilmente na época das cheias e têm suas nascentes em áreas de altitudes mais elevadas, nos contrafortes meridionais da Chapada dos Parecis. Desempenham importante papel na organização e valorização do espaço geográfico regional, devido à navegabilidade natural que oferecem. O rio Guaporé e seus afluente (rio São Miguel, rio Branco, rio São Simão, rio Massaco, e rio Colorado), são regidos pelo mesmo regime pluvial reinante na área. A subida das águas tendo inicio em outubro ou novembro, prolongando-se até março, e estiagem com sensível redução do nível da água nos messes seguintes.

Fauna e flora

A Reserva Biológica do Guaporé é a Unidade de Conservação com maior diversidade de paisagens de todo o Estado de Rondônia, pois apresenta 14 diferentes tipos de vegetação.

Destaque para a Floresta Ombrófila Aberta Aluvial e Floresta Ombrófila Aberta Submontana, pois são tipos de vegetação com características muito associadas ao relevo, podendo, desta forma, assumir fisionomias distintas: nas áreas sujeitas a alagamentos freqüentes encontra-se a Floresta Ombrófila Aberta Aluvial e nas superfícies com altitudes entre 100 e 600m encontra-se a denominada Floresta Ombrófila Aberta Submontana. Estes tipos de floresta apresentam grande abundância de palmeiras como o Babaçu (Orrbignya speciosa), Açaí (Euterpe precatoria e E. oleracea) e Piaçava (Leopoldinia piassaba). Também ocorrem freqüentemente a Castanheira-do-Brasil (Bertholletia execelsa) e a Seringueira (Hevea brasiliensis). Estruturalmente apresentam um estrato superior com indivíduos bem espaçados, que não ultrapassam a altura de 30m, com copas pequenas e ralas permitindo a ocorrência de submata densa, devido a possibilidade de infiltração da luz. A submata apresenta-se emaranhada, com grande representatividade de elementos das famílias Rubiaceae, Melastomataceae e Piperaceae.

Já a Floresta Ombrófila Densa Aluvial ocorre em apenas 4% do Estado de Rondônia, distribuída em pequenas manchas espalhadas por boa parte do seu território, inclusive no interior da Reserva Biológica do Guaporé, onde se encontra principalmente a Floresta Ombrófila Densa Aluvial com dossel emergente, contínuo e fechado, que pode atingir até 46 metros de altura, e é constituída de árvores sempre verdes. Na Reserva Biológica do Guaporé este tipo de vegetação também apresenta distribuição associada com uma presença expressiva de palmeiras e cipós. Apresenta porte mediano a baixo, com indivíduos de fustes retos, e a vegetação da submata é densa e intrincada com ocorrência de arbustos. As espécies mais comuns nesse ambiente são: Maçaranduba (Manikara amazonica), Amarelão (Apuleia molaris), Janité (Brosimum ovatifolium), Araracanga (Aspidosperma album), Quarubatinga (Vochysia guianensis), entre outras.

Importante destacar a presença da Formação Pioneira Fluvial de Buriti, tipo de vegetação também conhecido por Buritizal por ser notadamente dominada pela palmeira buriti (Mauritia flexuosa). No interior da Reserva Biológica do Guaporé ocorre um dos últimos remanescentes deste tipo de vegetação existente no Estado de Rondônia. Trata-se de uma mancha homogênea de Buritis com aproximadamente 24Km de extensão. Esta área é de extrema importância para preservação integral, pois trata-se de um ambiente delicado, estritamente adaptado a um tipo específico de drenagem das águas, além de ser um habitat singular e especializado para algumas espécies de animais, como as Araras que nidificam em suas palmeiras e o Cervo-do-Pantanal que utiliza este ambiente para sua reprodução e manutenção.

Compondo a paisagem geral da REBIO do Guaporé destaca-se em alguns trechos do rio Guaporé e em alguns de seus tributários, consideráveis distribuições de Aguapés (Eichhornia spp.), planta aquática flutuante que ocorre em extensas e compactas colônias que chegam às vezes a impedir a passagem de pequenas embarcações, estrangulando o canal navegável. Salienta-se que a Reserva Biológica do Guaporé está localizada na área de transição entre os biomas Cerrado e Amazônia, preservando uma importante e considerável região deste ecótono. Apresenta também áreas que devido ao regime hídrico dos rios da região, principalmente do rio Guaporé, assemelham-se fisionomicamente com o Pantanal Mato-Grossense, apresentando espécies características desses três ecossistemas, o que garante à REBIO características de flora de grande biodiversidade e relevância para a conservação da natureza.

Problemas e ameaças

Fontes

Página do CNUC
Página do ICMBio

Ficha Ramsar https://rsis.ramsar.org/ris/2297