Reserva Extrativista Lago do Cuniã




Reserva Extrativista Lago do Cuniã
Esfera Administrativa: Federal
Estado: Rondonia
Município: Porto Velho
Categoria: Reserva Extrativista
Bioma: Amazônia
Área: 50.603,84 hectares
Diploma legal de criação: Criada pelo Decreto Federal n° 3.238, de 10 de novembro de 1999.
Coordenação regional / Vinculação: ICMBio - CR1 – Porto Velho
Contatos: Telefone: (69) 3225- 7881

Índice

Localização

Como chegar

O acesso a Resex Lago do Cuniã pode ser realizado por via fluvial ou via terrestre, dependendo da época do ano.

Por via fluvial, o rio Madeira e Igarapé Cuniã são as principais vias de acesso à RESEX:

- no período da cheia dos rios: partindo de Porto Velho, o deslocamento pelo rio e igarapé leva, em média, 4 a 5 horas. - no período de estiagem (baixa dos rios): partindo de Porto Velho, o deslocamento se dá pelo mesmo rio e igarapé, levando em média de 6 a 8 horas, utilizando somente embarcações pequenas e com pessoas que conheçam os “perigos” do igarapé Cuniã (pedrais e troncos submersos).


Por via terrestre, no período de estiagem, é necessário o deslocamento com veículo traçado, percorrendo 70 quilômetros da Linha 28, estrada sem pavimentação, até a foz do rio Jamarí, onde é necessário atravessar o rio Madeira (com pequenas embarcações) até o distrito de São Carlos e seguir viagem em motocicletas, por 15 quilômetros de ramal, até chegar na RESEX. No período de cheia dos rios, a Linha 28 fica intransitável.

Ingressos

Não há cobrança de ingresso.

Onde ficar

Objetivos específicos da unidade

A Reserva Extrativista é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.

Histórico

A história da criação RESEX Lago do Cuniã está diretamente ligada com o histórico da ESEC do Cuniã. Nos anos 1980, em toda a área de abrangência do Lago do Cuniã, foi decretada a criação de uma Estação Ecológica, o que ameaçou a permanência de seus moradores, apesar destes ocuparem a região há longo tempo. Após um prolongado período de lutas por seus direitos de permanecer no local, a população conseguiu que parte da Estação Ecológica fosse convertida em Reserva Extrativista. Este movimento resultou no fortalecimento dos moradores de Cuniã, que estão entre os mais bem organizados do Baixo Madeira.Durante este processo de resistência, em 1986, foi formada a Associação dos Moradores do Cuniã–ASMOCUN.

Segundo a ASMOCUN, a criação da RESEX Lago do Cuniã era uma reivindicação antiga por cerca de 50 famílias que já viviam em uma área considerada intacta, cuja principal atividade econômica era a pesca, a agricultura e a extração de produtos florestais não madeireiros.

Na área da UC, reside uma população tradicional com cerca de 400 pessoas e 83 famílias beneficiárias, distribuídas em quatro núcleos comunitários: Núcleo Neves, Núcleo Silva Lopes Araújo, Núcleo Pupunhas e Núcleo Araçá.

Atrações

Aspectos naturais

A Unidade é banhada pelo rio Madeira e alguns de seus afluentes diretos. O Lago do Cuniã, com área aproximada de 18.000 ha, é alimentado pelos igarapés Cuniã Grande e Cuniazinho, ambos com suas nascentes na ESEC Cuniã, unidade no entorno da RESEX.

A vegetação da Reserva Extrativista Lago do Cuniã é fortemente marcada pelo regime hídrico do rio Madeira e principais lagos, onde dominam as Floresta de Várzea (Floresta Ombrófila Aluvial, Aberta e Densa) e Chavascais (Formações Pioneiras Influência Fluvial e/ou Lacustre). Nas áreas de platôs e terraços mais elevados, a vegetação assume padrão de Floresta de Terra Firme (Floresta Ombrófila Aluvial, Aberta e Densa e Ombrófila de Terras Baixas), com áreas de ecótono Floresta e Cerrado.

Relevo e clima

Relevo

A geomorfologia da área de estudo é composta por Planícies aluviais de rios principais e secundários, circundadas por seus terraços fluviais, cujas altitudes não ultrapassam os 100 m. A maior parte das terras tem altitude entre 100 e 200 metros (superfície de aplanamento) cujo relevo apresenta-se em colinas suave arredondadas com ou sem matacões.

Fauna e flora

Nestes ambientes de várzeas, florestas e cerrados, ocorrem populações dos mais diversos grupos da fauna, sendo identificados, no diagnóstico ambiental, 204 espécies de peixes, 67 espécies de anfíbios e 37 de répteis, cerca de 350 espécies de aves e 39 espécies de mamíferos de médio e grande porte.

Quanto á avifauna, algumas espécies foram registradas apenas na RESEX: maçarico-pintado Actitis macularius, pica-pau-anão-dourado Picum nusaurifrons, choca-d'água Sakesphorus luctuosus, juruviara-boreal Vireo olivaceuse tem-tem-de-dragona-vermelha Tachyphonus phoenicius. Chama atenção a grande concentração de aves aquáticas como os trinta-réis e martins-pescadores e, especialmente, de biguás, observada no Lago do Cuniã, fenômeno incomum e que sugere uma alta produtividade primária e secundária neste lago.

Problemas e ameaças

Pesca; Caça; Extração de recursos não madeireiros (por pessoal de fora); incêndios florestais; Hidrelétrica (pulsos de inundação); Hidrovia (dragagem); Lixo; e Desmatamento no no entorno.

Fontes

Plano de Manejo

http://sistemas.mma.gov.br/cnuc/index.php?ido=relatorioparametrizado.exibeRelatorio&relatorioPadrao=true&idUc=233

http://www.icmbio.gov.br/portal/unidadesdeconservacao/biomas-brasileiros/amazonia/unidades-de-conservacao-amazonia/2035-resex-lago-do-cunia