Reserva Particular do Patrimônio Natural Rancho MIRA-SERRA

A RPPN MIRA-SERRA está inserida na margem esquerda (em relação à nascente) do vale do rio Padilha, em São Francisco de Paula próximo da divisa com o município de Taquara. O bioma é Mata Atlântica, apresentando mosaico constituído de elementos característicos das Florestas Ombrófila Densa e Estacional Semi-Decidual e área de transição de Floresta Ombrófila Mista para Floresta Ombrófila Densa. Apresenta, predominantemente, vegetação em estados secundário médio e avançado de regeneração nas áreas de abandono - resultantes de duas tentativas infrutíferas de colonização. A acentuada declividade, acima de 45º e por vezes escarpada, é um dos fatores para o sucesso da preservação da biodiversidade local, que inclui espécies da fauna e da flora ameaçadas e extinção. Foram constatados sítios do patrimônio imemorial, com vestígios da presença indígena. A trilha rural é, historicamente, um dos trechos do complexo de caminhos vicinais que, no século XVIII, ligavam Viamão (RS) à Sorocaba (SP). Como consequência de uma linha de colonização, ela teve seu trajeto alterado para compor um acesso de servidão. Além da riqueza de mananciais hídricos superficiais (nascentes e arroios) da sub-bacia hidrográfica do rio Padilha, a área possui pontos de afloramento do Sistema Aquífero Guarani (S.A.G.). O rio Padilha - e afluentes - é diretamente responsável pelo abastecimento da comunidade a jusante, em Taquara e, indiretamente, contribuinte das bacias hidrográficas do rio dos Sinos e do Lago Guaíba. Outros aspectos importantes do local se relacionam à existência de: - Reconhecimento da RPPN como Posto Avançado da Reserva da Biosfera (MAB-UNESCO); - Área incluída na poligonal estadual da Mata Atlântica; - Localização geográfica que a coloca dentro da área de prioritária de extremamente alta importância para a conservação da biodiversidade (Portaria 09 de janeiro de 2007). - Possibilidade da área constituir uma unidade de conservação federal (protocolo IBAMA nº 02023.007474/01-59) ou estadual (protocolo SEMA/DUC nº. 011816-0500/05-1). - A recategorização da área como Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, já aprovada pelo Comitê Nacional da Reserva da Biosfera da Mata atlântica e Bureau da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Deste modo, a RPPN MIRA-SERRA objetiva tão somente a preservação do ecossistema, permitindo o estudo científico e o turismo acadêmico orientado.


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Reserva Particular do Patrimônio Natural Rancho MIRA-SERRA
Esfera Administrativa: Particular
Estado: Rio Grande do Sul
Município: São Francisco de Paula
Categoria: Reserva Particular do Patrimônio Natural
Bioma: Mata Atlântica
Área: 17,68 hectares
Diploma legal de criação: Portaria 124-N, de 27 de outubro de 1997.
Coordenação regional / Vinculação: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO)
Contatos: Site oficial: http://miraserra.org.br

ONG MIRA-SERRA no facebook: https://www.facebook.com/ONGMiraSerra/?fref=ts

Índice

Localização

A RPPN MIRA-SERRA está inserida na margem esquerda (em relação à nascente) do vale do rio Padilha, em São Francisco de Paula próximo da divisa com o município de Taquara.

Como chegar

Existem acessos por ambos os municípios (São Francisco de Paula e Taquara), totalizando três vias principais para alcançar o abrigo sede da RPPN MIRA-SERRA.

O primeiro acesso, de 23 Km, se constitui via Taquara e se dá pela RS 239 (em direção à Rolante), passando pelas localidades de Olhos d’água, Rio da Ilha, Padilha Nova, Padilha Velha culminando em trilha para o Alto Padilha, onde está situada a RPPN MIRA-SERRA. Saindo da RS 239, o trajeto não possui pavimentação, sendo encontrado em somente um trecho na localidade de Padilha Nova. A partir da base da montanha até a sede de RPPN MIRA-SERRA, há muita dificuldade em acessar a Unidade de Conservação devido à inclinação do terreno, ao tipo de substrato rochoso e pela pouca cobertura aderente para veículos motorizados. Da base da montanha à sede são cerca de 2Km.

O segundo acesso à RPPN MIRA-SERRA pode ser realizado por São Francisco de Paula. Neste município há duas opções: a) via Estrada da Serra Velha, passando por Roça Nova e Alto da Boa Vista, há um acesso de cerca de 3 km de distância até o abrigo-sede da UC. Do centro de São Francisco de Paula até o abrigo-sede, estima-se um trajeto de 8 km; b) via Avenida Getúlio Vargas, entrando na Estrada da Carapina até a ponte sobre o Rio Padilha. Deste ponto, à esquerda, até a base da montanha o percurso é de cerca de 200m. Segue pela mesma trilha de acesso ao abrigo sede da RPPN descrita no acesso por Taquara. Da Avenida Getúlio Vargas até a base da montanha o percurso é de aproximadamente 16 km. Sendo a primeira via de acesso por São Francisco de Paula dificultada pela ação da natureza em reação aos danos antrópicos produzidos nas margens da trilha.

Ingressos

Onde ficar

Objetivos específicos da unidade

A RPPN tem como objetivos: preservação do ecossistema, permitindo o estudo científico e o turismo acadêmico orientado.

Histórico

A trilha rural que perpassa a RPPN é, historicamente, um dos trechos do complexo de caminhos vicinais que, no século XVIII, ligavam Viamão (RS) à Sorocaba (SP). Como conseqüência de uma linha de colonização, ela teve seu trajeto alterado para compor um acesso de servidão. Foram constatados sítios do patrimônio imemorial, com vestígios da presença indígena. Estes itens obtiveram confirmação de indígenas Kaingang (Xamã Zílio) levados em incursão sem o conhecimento anterior dos atributos étnicos da RPPN e entorno. Há várias estórias sobre habitantes de comunidades tradicionais e não tradicionais. Mortes “enigmáticas” e suicídios bem como a existência de um cemitério indígena e outro não indígena, conferem características particulares ao vale do rio Padilha. Para os indígenas, a área é sagrada e imprópria para a moradia. Somente rituais místicos e coleta de ervas esporadicamente seriam permitidos.

Atrações

Aspectos naturais

Cachoeira Salto Mongelos, nascente perene Marília Portugal.

Relevo e clima

Relevo: A acentuada declividade, acima de 45º e por vezes escarpada, é um dos fatores para o sucesso da preservação da alta biodiversidade local, que inclui espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção.

Clima: A posição estratégica da RPPN MIRA-SERRA e entorno permite a penetração do ar seco na direção nordeste, provocando o fenômeno das chuvas orogênicas – conhecidas também por chuvas de montanha, chuvas de vale, chuvas de encosta.

Fauna e flora

Fauna: Os dados foram obtidos através de bibliografia para a região e por trabalho de campo, desenvolvido por acadêmicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pela equipe de pesquisa da ONG MIRA-SERRA. Foi registrada a ocorrência de espécies endêmicas da Mata Atlântica, como o Sabiá-Cica / Triclaria malachitacea e ameaçadas de extinção do Rio Grande do Sul, como: Urubu-rei, Tucanuçu e Onça-parda (Fontana, Bencke e Reis, 2003).

Além de espécies da mastofauna e da avifauna ameaçadas ou vulneráveis de extinção no local, também foram registrados bioindicadores em quantidade expressiva, como: ➢ gênero Aegla, caranguejo endêmico do sul da América do Sul, presente em rios de altitude elevada e bioindicador de boa qualidade da água foi encontrado no rio Padilha; ➢ espécies de répteis (Jararaca, Cotiara, Cobra-cipó, Caninana, Boipeva, Lagarto-de-papo-amarelo, Iguaninha-verde, Anfisbena, etc.), de anfíbios e de lepidópteros encontrados no vale do Rio Padilha, indicam a boa qualidade ambiental e atmosférica.

Não foram observadas espécies da fauna exótica e/ou invasora na RPPN. Animais domésticos e para consumo humano são observados em áreas vizinhas.


Flora: O domínio fitogeográfico é de Mata Atlântica. Esta estrutura florestal remanescente se estende ao longo do Vale do Rio Padilha, inserindo-se na paisagem dos municípios de São Francisco de Paula, Taquara e Rolante. Considerando que a RPPN MIRA-SERRA se estende da cota 200 a cerca de 1000 m de altitude, a fitofisionomia constitui um mosaico de elementos característicos das Florestas Ombrófila Densa e Estacional Semi-Decidual e área de transição de Floresta Ombrófila Mista para Floresta Ombrófila Densa. Apresenta, predominantemente, vegetação em estados secundário médio e avançado de regeneração nas áreas de abandono - resultantes de duas tentativas infrutíferas de colonização. Há espécimes climácicos com DAP superior a 80 cm, tendo sido registrados indivíduos com mais de 110 cm de DAP, desconsideradas as Figueiras e as Corticeiras. Na RPPN não foram constatadas espécies da flora invasora e/ou exótica. Entretanto, no entorno, há áreas desmatadas transformadas em monoculturas arbóreas e em culturas de curto ciclo.

Problemas e ameaças

Há pressão de caça no Vale do rio Padilha: pumas, gatos-do-mato, quatis, e tamanduás são perseguidos por temores infundados; veados e tatus são predados para consumo. Aves, como a caturrita e o sabiá-cica, são capturadas para cativeiro. Não se registrou comercialização da fauna.

Fontes

FONTANA, C.; BENCKE, G.A. & REIS, R.E. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EDIPUCRS. 632p.il. 2003

GUTERRES, J. de S., BECKER, L. & KOBER, M. de V. Estudo Coproparasitário no Vale do Rio Padilha (margem direita), São Francisco de Paula – RS/ BR. Aceito para publicação/UFRGS e Comitê do Lago Guaíba. 2008.

http://sistemas.icmbio.gov.br/simrppn/publico/detalhe/197/

http://www.sema.rs.gov.br/reserva-particular-do-patrimonio-natural-federal-rancho-mira

http://www.miraserra.org.br/site/img/textos/plano_manejo_rppn.zip