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Tatu-canastra na Reserva Cisalpina. Foto: Arquivo IPÊ/Divulgação


O tatu-canastra (Priodonte Maximus) é um animal que vive a maior parte do tempo sozinho,  dentro das tocas que constrói sob a terra. Avistá-lo, portanto, não é tarefa fácil. Apesar disso, graças à tecnologia das armadilhas fotográficas, os pesquisadores do projeto Tatu-Canastra conseguiram documentar pela primeira vez a ocorrência da espécie na Reserva Particular do Patrimônio Natural Cisalpina (MS).

Apesar de possuir uma ampla distribuição na América do Sul, o tatu-canastra é considerado vulnerável à extinção pela Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature (IUCN). Por isso a descoberta da espécie na reserva particular reforça a importância da conservação da região, que faz parte do corredor de biodiversidade tri-nacional do Rio Paraná.

Através dos registros das armadilhas fotográficas, os pesquisadores conseguiram contabilizar três tatus-canastra fêmeas na reserva. Também foram contabilizadas 30 tocas atribuídas à escavações de tatus-canastra: considerado o  “engenheiro do ecossistema”, suas tocas são usadas por diversas outras espécies como abrigo e conforto térmico. Na unidade de conservação, foram registradas 35 espécies de vertebrados que fazem uso das “construções” do tatu-canastra.

A Reserva Cisalpina é um remanescente das várzeas do rio Paraná, a maior amostra deste tipo de ecossistema que restou após o enchimento da hidrelétrica Sérgio Motta, em 1995. A paisagem é um mosaico com lagoas, córregos e canais interligados ao canal do rio Paraná, áreas abertas inundáveis e manchas florestais naturais. A área sofreu grande impactos devido ao desmatamento e à inundações mas, com 6.261 hectares de extensão, a reserva se tornou um dos maiores remanescentes de floresta protegida do estado. O acréscimo do tatu-canastra na lista de espécies ameaçadas que existem na região, reforça ainda mais a importância de proteção da RPPN que se tornou um grande refúgio para fauna.

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Tatu-canastra na Reserva Cisalpina. Foto: Arquivo IPÊ/Divulgação


Membro da equipe do projeto, o biólogo Gabriel Fávero Massocato, ressalta que “a aparição é importante porque mostra que se houver um novo enchimento da hidrelétrica, isso poderá afetar a reserva Cisalpina e a fauna ali existente, até bichos que ainda não foram registrados na região, como era o caso do tatu-canastra. A proteção dessa reserva se mostra agora ainda mais fundamental para a conservação da espécie”.

O coordenador do projeto, Arnaud Desbiez, acrescenta que, durante a pesquisa, um dos tatus atravessou a rodovia BR-158, um lembrete de outra grande ameaça à espécie: o atropelamento. Este ano, cinco tatus-canastra já foram atropelados no estado. “Precisamos identificar onde estão os tatus-canastra, especialmente em unidades de conservação, pois é fundamental para monitorar a espécie e avaliar a viabilidade das populações a longo prazo, assim como conduzir programas de conservação para ela”, conclui Desbiez.

O projeto Tatu-Canastra é realizado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e The Royal Zoological Society of Scotland. Desde 2010, o projeto realiza pesquisas científicas para a proteção da espécie no Pantanal e Cerrado do Mato Grosso do Sul. No Brasil, o tatu-canastra está presente na Floresta Amazônica, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Nos pampas, é considerado extinto e não há registros da espécie na Caatinga.

 

 

 

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