Gato-do-mato-pequeno, espécie ameaçada de extinção, é registrada pela câmera do projeto. Foto: CENAP/Divulgação


A Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel (BA) divulgou nesta semana os resultados do monitoramento feito com 82 armadilhas fotográficas ao redor da unidade de conservação. O resultado foi animador: foram registradas 27 espécies de animais, 5 delas inéditas para área protegida. O projeto foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP) em parceria com o Parque Nacional do Pau Brasil (BA), vizinho da reserva particular.

O principal objetivo do monitoramento era fazer imagens da onça-pintada (Panthera onca) na reserva, mas com a ausência do felino na frente das câmeras, o destaque ficou com os registros da irara (Eira Barbara), do gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus), da mão pelada (Procyon cancrivorus), do tapiti (Sylvilagus brasilienses) e do ouriço-caixeiro (Coendou cf. insidiosus), espécies que ainda não haviam sido registradas por vídeo nem por avistamento na Estação Veracel.

“O monitoramento registrou ao todo 27 espécies de animais de diferentes portes, um sinal de que o remanescente florestal ainda guarda uma boa diversidade de mamíferos, pois eles são, na sua maioria, vítimas de caça”, diz Ronaldo Morato, coordenador do CENAP. Além disso, a presença do gato-do-mato-pequeno também foi um resultado positivo, pois a espécie está no Livro Vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção, na categoria vulnerável.

As câmeras foram distribuídas entre a reserva particular do patrimônio natural (RPPN) e o parque nacional. O levantamento é apenas o primeiro de uma série de campanhas previstas para monitorar a ocorrência da onça-pintada, que foi fotografada pelas câmeras pela última – e única – vez em 2017, depois de 20 anos sem registros do animal na região da Mata Atlântica no Sul da Bahia.

“Há mais de 20 anos não havia registro da onça pintada na região da Mata Atlântica no Sul da Bahia. O objetivo dos pesquisadores é o monitoramento e conservação da espécie, garantindo assim a manutenção de um ambiente propício a um animal topo de cadeia alimentar”, explica a gestora da Estação Veracel, a bióloga Virgínia Camargos.

Ainda de acordo com a coordenadora, o monitoramento em parceria com o Parque Nacional do Pau Brasil trará novos subsídios para a concretização do corredor ecológico entre a reserva e o parque. “Trabalhamos para fortalecer a conexão do corredor da reserva da Estação Veracel com o Parque Nacional do Pau-Brasil, conectando mais de 30 mil hectares de Mata Atlântica”, pontua Virginia.

Mesmo sem o flagrante da onça pintada, ao todo, 9 espécies ameaçadas na Bahia foram registradas pelas câmeras: a anta, o macaco-prego-de-crista, o guigó, o gato-do-mato-pequeno, a queixada, o gato-maracajá, a jaguatirica, a onça-parda e o gato-mourisco, sendo que os cinco primeiros fazem parte da lista vermelha das espécies ameaçadas mundialmente, segundo a Lista Vermelha da IUCN (Red List).

Um macaco-prego-de-crista foi outra das espécies registradas no monitoramento. Foto: CENAP/Divulgação


Termo de Compromisso pela conservação da Mata Atlântica

Os resultados da primeira campanha foram apresentados em um workshop no CENAP, ao lado de outros estudos realizados na Mata Atlântica, também com foco na região do Sul da Bahia. O evento resultou na elaboração da Carta de Atibaia, documento que prevê a criação de uma rede de pesquisa e conservação da Mata Atlântica do Sul da Bahia, cujo objetivo é dar visibilidade para a Mata Atlântica considerada um dos hotspot mundial de biodiversidade com alto grau de endemismo. O termo de compromisso foi entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por pesquisadores do ICMBio, e ressalta a necessidade de compreender os processos de transformação do território e, através deste, propor estratégias de conservação mais eficientes e factíveis, adequadas a realidade e necessárias para proteger este imenso patrimônio socioambiental.

 

 

 

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