Boqueirão da Onça. Foto: Angela Kuzach

Boqueirão da Onça. Foto: Angela Kuzach


O Diário Oficial da União publicou nesta sexta-feira (06/04), os decretos nº 9336 e 9337 que estabelecem o Parque Nacional do Boqueirão da Onça (BA), uma unidade de conservação de proteção integral com 347 mil hectares, e a Área de Proteção Ambiental do Boqueirão da Onça (BA), com 505 mil hectares. As unidades agregam, no total, 852 mil hectares de necessária proteção à Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro. Elas fazem parte do conjunto de 5 unidades criadas nesta quinta-feira (05/05)

A região conhecida como Boqueirão da Onça é um dos últimos remanescentes contínuos de Caatinga, do qual restam apenas cerca de 20% da cobertura nativa. O Boqueirão tem uma paisagem incomum, com desfiladeiros e ecossistemas que abrigam riquíssima biodiversidade, importantes nascentes e cavernas com inscrições rupestres milenares.

“Embora a Caatinga tenha ampla distribuição no semiárido nordestino, a maior área preservada contínua do bioma fica no Boqueirão, e as novas unidades de conservação incluem uma parte desse território”, destaca Rogério Cunha de Paula, do Centro Nacional de Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Segundo ele, a Caatinga tem menos de 2% de seu território protegido por unidades de conservação. A criação das duas novas unidades eleva esse índice. Mas, conforme os estudiosos, ainda é insuficiente para garantir a sobrevivência de espécies da fauna e da flora nativas.

A paisagem do parque do Boqueirão da Onça. Foto: Claudia Bueno de Campos

A paisagem do parque do Boqueirão da Onça. Foto: Claudia Bueno de Campos


“É urgente situar essa região no centro das políticas públicas de conservação da biodiversidade, seguindo os compromissos do Brasil junto à Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas”, completa.

O Boqueirão também é muito relevante no abastecimento hídrico da região: importantes nascentes localizadas nos planos mais altos irrigam o solo seco do sertão, garantindo condições de vida para comunidades urbanas e rurais. Algumas dessas nascentes foram incluídas dentro dos limites do novo parque nacional.
 
Com a criação das novas áreas protegidas, abre-se a oportunidade para iniciativas de desenvolvimento regional com inclusão das populações tradicionais e mitigação dos impactos dos empreendimentos – sobretudo do setor eólico – que estão sendo direcionados para a região devido à abundância de ventos durante todo o ano.

O próximo passo é a elaboração dos planos de manejo das unidades e o início da gestão das novas áreas protegidas na Caatinga.

 

*Com informações da WWF

 

 

 

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