As surpresas que a floresta proporciona. Você entra na mata para observar e de repente percebe que você é quem está sendo observado. Foto: Peterson de Almeida

As surpresas que a floresta proporciona. Você entra na mata para observar e de repente percebe que você é quem está sendo observado. Foto: © Peterson de Almeida

O que é preciso para fazer fotografias incríveis? Imagens maravilhosas que façam com que você e seus amigos fiquem impressionados? Uma câmera de última geração que custe alguns milhares de dólares? Flashes superpotentes? Lentes superclaras e supercaras?

Na Mata Atlântica não!

É claro que ter todo esse aparato, se você souber usá-lo, ajuda bastante. Mas o que vai realmente fazer a diferença é saber como a natureza funciona. Entender e fazer parte desse enorme ser vivo que hospeda tanta biodiversidade, com uma surpresa diferente a cada passo.

Você não precisa ser um biólogo. São informações simples que podem ser conseguidas com pessoas mais experientes. ou apenas pura observação : saber um pouco dos hábitos dos animais, época de floração das plantas, como a floresta e os bichos se comportam depois das chuvas ou tempos de seca.

Particularidades

Nessa imagem, por exemplo, fotografei o Pico das Agulhas Negras (no Parque Nacional do Itatiaia) durante o pôr do sol. Reparem que as cores ficaram bem diferentes e o pôr do sol trouxe um vermelho vivo à fotografia. Deu muito certo por ser uma fotografia de paisagem, de longe, mas se eu estivesse naquela área de sombra querendo fotografar um inseto por exemplo, certamente teria dificuldades pela pouca iluminação. Poderia ter dificuldade também para sair do local devido o avançar da hora. Logo que a sombra tomar a montanha já estará de noite e difícil de se orientar na trilha de volta. Foto: Peterson de Almeida

Nessa imagem, por exemplo, fotografei o Pico das Agulhas Negras (no Parque Nacional do Itatiaia) durante o pôr do sol. Reparem que as cores ficaram bem diferentes e o pôr do sol trouxe um vermelho vivo à fotografia. Deu muito certo por ser uma fotografia de paisagem, de longe, mas se eu estivesse naquela área de sombra querendo fotografar um inseto por exemplo, certamente teria dificuldades pela pouca iluminação. Poderia ter dificuldade também para sair do local devido o avançar da hora. Logo que a sombra tomar a montanha já estará de noite e difícil de se orientar na trilha de volta. Foto: ©Peterson de Almeida

Como na fotografia em geral, os melhores horários para se fotografar são pela manhã e no fim da tarde, principalmente por conta da luz oblíqua e dos tons de cor mais vivos, sem aquela luz dura do meio do dia. É o ideal se você for fotografar em um pico ou local alto, fotografar uma paisagem, por exemplo.

Mas se o local das fotos for no interior da floresta, a mata densa e o relevo influenciam bastante na incidência de luz. Por conta dessas áreas de sombra, escurece bem mais cedo no interior da floresta. Para se ter uma ideia, tem dias que cinco da tarde já está bem escuro.

Sol e sombra

Uma das grande dificuldades de fotografar na floresta são as sombras, principalmente em dias de sol muito forte e céu limpo. Isto porque quanto mais intensa está a luz do sol mais fortes e marcantes serão as sombras. E aí está o problema: dependendo do que for fotografar, fica difícil fazer uma composição bacana e bem equilibrada.

Se fizer a fotometria para os pontos de sombra, o que está iluminado pelo sol vai ficar estourado (superexposto). Se fizer o cálculo para o ponto que está recebendo luz do sol, o que está na sombra ficará muito escuro (subexposto). Daí entram nossas grandes aliadas: as nuvens.

Quando uma nuvem entra na frente do sol, ela funciona como um grande filtro, que espalha a luz igualmente sobre a cena. Portanto, fotografar em dias um pouco nublados ou quando aquela nuvem fica por alguns instantes na frente do sol podem te ajudar bastante.

Fauna e Flora

Macaco bugio, despreocupado, se alimentando na floresta. O animal está calmo devido à tranquilidade do local. Dificilmente conseguiremos esse registo em uma trilha barulhenta e muito movimentada. Foto: Peterson de Almeida

Macaco bugio, despreocupado, se alimentando na floresta. O animal está calmo devido à tranquilidade do local. Dificilmente conseguiremos esse registo em uma trilha barulhenta e muito movimentada. Foto: ©Peterson de Almeida

Se o seu objetivo for fotografar animais fuja das trilhas muito movimentadas, pois o grande número de pessoas e o barulho que elas causam afugentam os bichos. Em locais mais calmos eles ficam mais à vontade, se alimentam e executam sua rotina normalmente. Assim suas chances de fazer belos registros aumentam consideravelmente.

Na Mata Atlântica existe uma infinidade de animais, alguns deles possuem hábitos noturnos e outros diurnos. Mas o início da manhã e o fim da tarde são os horários que eu costumo chamar de “troca de turno”. Os do dia se recolhem e os da noite saem. E numa dessas você consegue ter, em um curto espaço de tempo, os dois “turnos” juntos, como em uma fábrica.

Para a flora, a grande dica é saber as épocas da planta. Floração, sementes, queda das folhas, etc. O posicionamento do sol em relação ao tema a ser fotografado também é importante e pode causar efeitos bem bacanas.

A ideia do Fotografia na Mata Atlântica é, ao longo da série, destrinchar mais esses temas com dicas e exemplos específicos para cada situação. Acompanhe!

Um lugar simples e comum fica bem mais interessante graças à época de floração da árvore. Saber esses pequenos detalhes pode fazer toda a diferença. Foto: Peterson de Almeida

Um lugar simples e comum fica bem mais interessante graças à época de floração da árvore. Saber esses pequenos detalhes pode fazer toda a diferença. Foto: © Peterson de Almeida

 

 

 

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