Casal de periquitos-ricos (Brotogeris tirica) protegendo o ninho. Foto: Peterson de Almeida

Casal de periquitos-ricos (Brotogeris tirica) protegendo o ninho. Foto: Peterson de Almeida

Fotografias de animais em ambientes naturais são sempre difíceis de fazer, porque temos que contar com muita sorte e com a “boa vontade” dos bichos. Quando se trata de aves então, a dificuldade aumenta consideravelmente. Ah, as aves! Cada uma mais linda que a outra, com todas as suas cores e diferentes formas.

Arrisco dizer que todo fotógrafo ou amante da natureza quer ter uma bela imagem de uma ave para a sua coleção. Comigo não é diferente. Considerando a quantidade de fotografias que possuo tenho poucas imagens de pássaros, mas gosto muito delas, principalmente pela dificuldade ou forma inesperada que as consegui.

Vamos às dicas.

Para conseguir essas fotos eu percebi o comportamento repetitivo do beija-flor-de-fronte-violeta (Thalurania glaucopis) e fiquei por uns 40 minutos no local. Ter paciência é o segredo! Foto: Peterson de Almeida

Para conseguir essas fotos eu percebi o comportamento repetitivo do beija-flor-de-fronte-violeta (Thalurania glaucopis) e fiquei por uns 40 minutos no local. Ter paciência é o segredo! Foto: Peterson de Almeida

A hora certa

A primeira e principal  se refere ao horário. Procurem sair bem cedo, nas primeiras horas da manhã – até cerca de 09h00 – quando as aves são mais ativas: neste intervalo é que se alimentam, acasalam ou marcam seus territórios.

Outro bom momento é o fim da tarde, quando o dia fica mais quente e a maioria delas se recolhe.

A vocalização

Conhecer um pouco os bichos é fundamental. Seus hábitos, comportamentos, frutas das quais se alimentam e, principalmente, os sons  que emitem – a vocalização. Uma ave pode ter vários tipos de vocalização diferentes, dependendo do propósito: um som para marcar território, um som para atrair a fêmea, outro para comunicação entre indivíduos da mesma espécie etc.

O bom de saber reconhecer a ave pelo som que ela emite é que, durante a caminhada, a partir da vocalização você pode saber onde o pássaro está e de qual espécie se trata.

Tangará-dançarino (Chiroxiphia caudata) macho, instantes antes de se juntar ao grupo para fazer a dança e, se a performance agradar, ser escolhido pela fêmea. Foto: Peterson de Almeida

Tangará-dançarino (Chiroxiphia caudata) macho, instantes antes de se juntar ao grupo para fazer a dança e, se a performance agradar, ser escolhido pela fêmea. Foto: Peterson de Almeida

O tangará dançarino macho, por exemplo, emite um som inconfundível quando se exibe para uma fêmea. Se você souber identificar este som certamente fará belas fotografias, porque, quando ele vocaliza desta forma, um grupo de quatro ou cinco machos  “dançam” em frente à fêmea  – daí o nome do pássaro – , num movimento sincronizado muito bonito. Não sei o que é melhor: fotografar ou apenas observar o espetáculo.

Tucanos também tem a vocalização bem característica, e alta, facilmente identificada quando caminhamos pela floresta.

As árvores

Fotografia de natureza não é só olho vivo. Ouvidos atentos à vocalização inconfundível do Tucano-de-bico-preto (Ranphastos vitellinus). Foto: Peterson de Almeida

Fotografia de natureza não é só olho vivo. Ouvidos atentos à vocalização inconfundível do Tucano-de-bico-preto (Ranphastos vitellinus). Foto: Peterson de Almeida

Árvores frutíferas são locais bem legais de fotografar pássaros. Pitangas, goiabeiras, cambucás, bananeiras, eles adoram! Só esperar a época de frutificação das árvores e observar.

O comportamento de algumas aves é uma coisa bem curiosa. Certa vez eu estava em uma trilha e quando parei para fazer um lanche um tangará fêmea me chamou a atenção. Reparei que ela estava com ninho perto e cada vez que saía para buscar comida para os filhotes, quando retornava pousava sempre nos mesmos lugares, permanecia por uns cinco ou dez segundos e depois seguia para o ninho, talvez para observar se tinha algum predador por perto.

Não pensei duas vezes: coloquei o tripé e a câmera apontados para um desses locais e esperei alguns minutos. No caso da minha câmera, a deixei programada para fazer fotos em sequência e acionei o disparador. Algumas câmeras podem ser acionadas por controle remoto.

O equipamento

A pitangueira carregada de frutos pode ser um excelente local de espera para fotografar a Saíra-militar (Tangara cyanocephala). Foto: Peterson de Almeida

A pitangueira carregada de frutos pode ser um excelente local de espera para fotografar a Saíra-militar (Tangara cyanocephala). Foto: Peterson de Almeida

Já que toquei no assunto, vamos falar  dos equipamentos

A roupa que o fotógrafo usa pode ser determinante para fotografar ou espantar a ave.  Como elas enxergam cores, roupas camufladas são ideais. Verde musgo ou caqui são indicadas em ambiente de floresta. A ideia aqui é confundir a silhueta com a vegetação para que a ave não perceba sua presença.

No caso do tangará fêmea que eu mencionei há pouco, percebi que depois que posicionei o tripé ela não se aproximou mais  do ninho.  A ave notou a presença do tripé e da câmera como objetos estranhos  da cor preta próximos ao ninho. Cobri ambos com meu casaco camuflado, deixando apenas uma pequena abertura para a lente. Depois que fiz isso a ave voltou a pousar no ninho e consegui fazer as fotografias.

Tangará (Chiroxiphia caudata) fêmea observando o ninho antes de voltar com a comida dos filhotes. Foto: Peterson de Almeida

Tangará (Chiroxiphia caudata) fêmea observando o ninho antes de voltar com a comida dos filhotes. Foto: Peterson de Almeida

Teleobjetivas (lentes zoom) também são muito importantes para se fazer boas imagens. Às vezes damos sorte de o pássaro chegar bem perto, mas, na maioria das vezes, uma lente zoom ajuda bastante. Quanto maior o zoom, melhor. Para mim,  uma lente 55-300 mm dá conta do recado.

A Internet

As últimas dicas que darei são dois sites muito bons para começar no mundo das aves e conhecer pessoas mais experientes no assunto – que é uma ótima forma de aprender.

O WikiAves é um dos sites mais completos ( se não o mais) sobre aves do Brasil. Nele é possível ver imagens das aves, seus nomes e o principal: ouvir gravações das suas vocalizações. Em uma rápida passada pelo site, tenho certeza que você vai conhecer aves que nem sabia que existiam e identificar sons familiares e quais aves os produzem.

Apesar de bem pequeno, guiado pela vocalização e ajudado por uma tele-objetiva, não é muito difícil encontrar um teque-teque (Todirostrum poliocephalum) em meio às folhas, mas tem que ser rápido, pois ele quase nunca fica parado. Foto: Peterson de Almeida

Apesar de bem pequeno, guiado pela vocalização e ajudado por uma tele-objetiva, não é muito difícil encontrar um teque-teque (Todirostrum poliocephalum) em meio às folhas, mas tem que ser rápido, pois ele quase nunca fica parado. Foto: Peterson de Almeida

O outro é o Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro. Além de uma lista bem bacana de aves, vocalizações e imagens, também é possível dividir as espécies pelas Unidades de Conservação em que ocorrem. Lá tem a agenda do clube, eventos de observação de aves para participar e aprender com os demais membros.

Ah! No facebook também tem várias páginas e grupos de observadores de aves para conhecer e aprender mais.

Boas fotos!

 

Agradecimento especial ao profundo conhecedor de aves, Gabriel Mello, que desenvolve um belíssimo trabalho junto com seu irmão Daniel Mello, pela ajuda na identificação das espécies de aves que ilustram esta coluna.

 

 

 

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