Voluntário pinta a pegada da Transmantiqueira. Foto: Duda Menegassi


Na última semana, nos dias 14 e 15/02, foi dado o pontapé inicial das pegadas amarelas e pretas da Trilha Transmantiqueira no setor Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro. A sinalização foi realizada por cerca de 20 voluntários que participaram do 6º seminário da trilha de longo curso, realizado na sede do Parque Estadual da Pedra Selada (RJ). Foram sinalizados os primeiros 4 km do percurso que liga Maromba à Visconde de Mauá, em um raro trecho urbano para trilha que cruza as montanhas da Mantiqueira.

O seminário contou com a participação de diversos atores locais como: donos de pousada, guias de turismo, montanhistas, moradores, guarda-parques. Também participaram representantes de municípios ao longo da rota como Extrema (MG), Itatiaia (RJ), Bocaina de Minas (MG) e da própria cidade de Resende (RJ), onde ocorreu o evento. Além do trecho sinalizado, o grupo fez o reconhecimento da trilha que leva até Visconde de Mauá, um percurso de 8 km que cruza vales e paisagens pontilhadas de araucárias nas zonas de amortecimento do Parque Nacional do Itatiaia (RJ) e do Parque Estadual da Pedra Selada (RJ).

O início da atividade de sinalização foi em pleno centro urbano da Vila de Maromba, onde foi abraçada pelos moradores da região, que já possuem no DNA a vocação turística. Um dos voluntários, Gustavo, montanhista e morador local, resume: “o turismo é a coisa mais importante pra nossa comunidade. Até o carpinteiro em Visconde de Mauá depende do turista pra ter trabalho”.

Grupo desce o Vale da Grama, pela trilha que irá levar o caminhante até Visconde de Mauá. Foto: Duda Menegassi


A gestora do parque estadual e coordenadora-geral do setor da trilha em Mauá, Adriana Fontes, pontua que “eu traduzo a Trilha Transmantiqueira como uma oportunidade, não apenas para o parque estadual, mas para a região de Visconde de Mauá como um todo”.

Adriana ressalta que “a trilha representa não apenas um novo atrativo, mas uma oportunidade para o desenvolvimento econômico da região. Além disso, é uma oportunidade para que a gente possa falar cada vez mais sobre a importância da preservação da natureza e inspirar os visitantes a valorizarem os recursos naturais”. O principal ponto turístico do parque, a Pedra Selada, não está incluído no traçado oficial da Transmantiqueira, mas a ideia é que o caminhante possa aproveitar uns dias extras na região para fazer o circuito de atrativos da unidade de conservação.

De acordo com o coordenador-geral da Trilha Transmantiqueira, Hugo de Castro, a ideia do trecho é exatamente estimular o visitante a conhecer um pouco das vilas e da região. “O caminhante vai poder desfrutar da culinária, fazer o reabastecimento, se hospedar numa pousada e talvez passar ali alguns dias. Desde o começo a gente pensou a Transmantiqueira não só a trilha. A gente quer inserir a cultura da Mantiqueira dentro desse projeto – e as pessoas. Porque as pessoas são muito acolhedoras, são o diferencial da trilha”.

Moradores locais, Gustavo e Sônia fazem a sinalização da Transmantiqueira. Foto: Duda Menegassi


Os moradores se apropriaram tanto da marca e da Transmantiqueira, que levaram pedaços de madeira e pedras para poderem pintar e levar a própria pegada para casa. Uma delas foi Sônia, que mora na região há 30 anos, e que pintou a sua numa tabuleta e agora quer emoldurá-la para exibí-la na parede da estalagem que comanda. “Eu tenho orgulho de me sentir parte desse projeto”, comemora Sônia.

A curiosidade do trecho ficou por conta de uma confusão na hora de comprar a lata de spray. Em vez do amarelão tradicional, as tintas foram compradas na cor dourada. Um pequeno equívoco que serve para ressaltar que este setor vale ouro!

A marca oficial da Transmantiqueira ganhou um tom dourado inusitado. Foto: Duda Menegassi

 

 

 

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