O Parque Nacional da Tijuca conta com uma nova espécie. Foto: Ernesto Viveiros/PNT

O Parque Nacional da Tijuca conta com uma nova espécie. Foto: Ernesto Viveiros/PNT

Na última sexta-feira (04/09), o Parque Nacional da Tijuca deu início ao programa de reintrodução de bugios (Alouatta guariba) com quatro animais oriundos de cativeiro e apreensões de órgãos ambientais. A ideia é realizar novas solturas no futuro afim de estabelecer uma população viável a longo prazo.

A soltura do primeiro grupo de bugios foi um sucesso. Após um período de avaliação no Centro de Primatologia do Estado do Rio de Janeiro (CPRJ/INEA) e readaptação em viveiro dentro do Parque, os animais foram liberados na floresta. Os dois bugios oriundos de apreensões saíram mais rapidamente e já exploram o ambiente do entorno, enquanto os dois nascidos em cativeiro ficaram mais próximos ao viveiro, mas o grupo manteve sua coesão.

A reconstrução da fauna do Parque começou em 2009 por meio da reintrodução de um conjunto de espécies nativas que tinham sido extintas historicamente. O programa de refaunação do PNT é formado pela equipe técnica do Parque, aliada a pesquisadores de várias instituições, como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). As primeiras duas espécies de mamíferos devolvidas ao PNT são as cutias (Dasyprocta leporina), reinseridas há seis anos, e agora os bugios. Nas palavras do pesquisador Fernando Fernandez, da UFRJ, “a refaunação permitirá recuperar processos ecológicos importantes que foram perdidos no ecossistema do Parque Nacional da Tijuca, especialmente a dispersão de sementes das grandes árvores. Isso é importante para garantir que a floresta possa conservar, a longo prazo, a sua biodiversidade”.

Um grande desafio para a conservação da biodiversidade no mundo atual são as florestas vazias. Florestas que parecem intactas à primeira vista não têm mais animais de grande porte — como os bugios –, que foram exterminados pela caça. Esta perda dos grandes animais, a defaunação, leva à interrupção de vários processos ecológicos que eles realizam em florestas intactas, tais como dispersão de sementes de grandes árvores, regulação de populações de presas e ciclagem de nutrientes. Em consequência da perda desses processos, o ecossistema da floresta vazia não funciona adequadamente, e perde, pouco a pouco, a sua biodiversidade.

O programa em andamento no PNT faz parte de um projeto maior para refaunação de florestas do estado do Rio de Janeiro, o Projeto Refauna. Este projeto é uma parceria entre universidades do Rio de Janeiro (UFRJ, UFRRJ e IFRJ) e várias outras instituições como o Instituto Chico Mendes (ICMBio), o Instituto Estadual do Ambiente do RJ (INEA), a Fundação Parques e Jardins, a Fundação RioZoo, a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá. O financiamento vem de recursos da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 

 

* Com informações do Parque Nacional da Tijuca

 

 

 

Comentários

comentários