Juvenal explorando a floresta. Foto: Luísa Genes

Juvenal explorando a floresta. Foto: Luísa Genes

Os bugios-ruivos (Alouatta guariba) são primatas nativos da Mata Atlântica, mas com a fragmentação do seu habitat natural, já quase não podem ser encontrados nas florestas do bioma. Em alguns lugares, como o Parque Nacional da Tijuca (RJ), que abrange 3.958 hectares do bioma em plena cidade do Rio de Janeiro, o primata foi extinto. Desde o ano passado, entretanto, o grupo ‘Bugios na Tijuca‘, um projeto de reintrodução da espécie apoiado pelo Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, tem como objetivo garantir o retorno deste antigo habitante às matas tijucanas.

Na última semana, dois bugios, apelidados de Maia e Juvenal, uma fêmea e um macho, foram soltos na Floresta da Tijuca. Eles vão fazer companhia a outros três bugios que foram libertados em setembro do ano passado. Os animais são monitorados através de colares de radio-telemetria, colocados no pescoço, no caso de Maia, ou no tornozelo, caso de Juvenal.

Maia desbravando a Floresta da Tijuca. Foto: Luísa Genes

Maia desbravando a Floresta da Tijuca. Foto: Luísa Genes

A grande preocupação da equipe do projeto, entretanto, não é com o comportamento dos primatas reintroduzidos ao ambiente natural, mas dos humanos. Maia já havia sido solta antes, mas entrou em contato com pessoas que lhe deram comida. Ela perdeu peso e foi necessário voltar ao Centro para reabilitação. Agora, uma nova tentativa e a ressalva repetida inúmeras vezes: “Não alimentem animais silvestres”. A alimentação do bugio é composta por folhas e frutos nativos da floresta e a oferta de comida, além de ser um prejuízo nutricional, pode fazer com que o macaco se torne dependente e não se integre propriamente ao seu habitat. Sem contar o risco de se tornar um alvo fácil para predadores naturais ou caçadores.

A orientação é manter a distância dos animais e admirá-los de longe. Muitas vezes o contato entre homens e animais selvagens é responsável pela disseminação de doenças tanto para os bichos como para humanos.

A pesquisadora Luísa Genes, do Laboratório de Ecologia e Conservação de Populações (LECP) da UFRJ, um dos grupos responsáveis pelo projeto, explicou que o grupo tem feito um trabalho intenso de divulgação de informações e de orientação aos visitantes para que não alimentem os bugios, ou qualquer outro animal silvestre. Sobre a aclimatação dos animais ao meio natural, Luísa comemora: “Os bugios tem se adaptado muito bem a floresta. E até fevereiro pretendemos soltar mais seis bugios na Floresta da Tijuca”.

Veja o guia informativo do Bugios na Tijuca

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