Registro do muriqui-do-sul feito na última expedição para avistar a espécie no Desengano, em 2012. Foto: João Rafael Marins


A equipe do Parque Estadual do Desengano (RJ) deu início em fevereiro ao projeto de mapeamento e monitoramento do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), primata endêmico da Mata Atlântica e ameaçado de extinção. A iniciativa conta com o apoio do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e tem como objetivo identificar os principais pontos de ocorrência do muriqui dentro do parque e quantos indivíduos habitam as florestas da unidade de conservação.

O levantamento foi dividido em três etapas. A primeira delas, a de pesquisa bibliográfica que se baseia em artigos e estudos já publicados sobre a presença da espécie no parque. A segunda fase, que teve início em fevereiro, é a entrevista com os moradores do entorno para descobrir os locais onde o muriqui já foi avistado. De acordo com o gestor do parque, Carlos Dário, esta pesquisa junto à comunidade é essencial, pois reforça o conceito de ciência cidadã. Até o momento, a equipe da área protegida já fez entrevistas nos municípios de Santa Maria Madalena e São Fidélis.

Munidos do conhecimento adquirido através de teses científicas e indicações de moradores, os guarda-parques irão a campo para tentar de fato encontrar e registrar a presença dos muriquis. “Já temos as informações acadêmicas, as informações das pessoas que vivem no entorno e das que frequentam o parque, como montanhistas, e agora, em março, nós iremos para campo tentar fazer os avistamentos para confirmar as informações e verificar se ainda há ocorrência nestes pontos”, explica Dário. “A ideia é a convergência de informações de pesquisa, entrevista e campo, em vez de sair procurando o muriqui nos 22 mil hectares do parque, o que seria inviável”.

O gestor ressalta ainda que o trabalho irá permitir também fazer uma estimativa de quantos muriquis habitam a área do Parque Estadual. “Já foram feitas expedições para avistar e registrar o muriqui, a última delas em 2012, quando avistamos um casal com um filhote e outros dois adultos, mas não foram idas para quantificar o muriqui tampouco foram iniciativas incluídas dentro de um plano de ação do parque”. O trabalho de mapeamento e monitoramento terá duração de um ano e, de acordo com os resultados, serão planejados os desdobramentos da ação. A expectativa é fazer uma saída de campo a cada 2 ou 3 meses.

Além da importância de fazer o levantamento da população que vive dentro do parque, uma vez que a espécie é ameaçada de extinção, há também um caráter emblemático na ação, pois o muriqui é o animal símbolo do Parque Estadual.

 

 

 

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