O pato-mergulhão foi visto pela vigilante do parque, Fabiana Pereira. É o segundo registro da espécie em 197 anos. Foto: Fabiana Pereira

O pato-mergulhão foi visto pela vigilante do parque, Fabiana Pereira. É o segundo registro da espécie em 197 anos. Foto: Fabiana Pereira


Um pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), uma das aves mais ameaçadas das Américas e das mais raras do mundo, foi registrado no Núcleo Padre Dória do Parque Estadual da Serra do Mar (SP). O histórico registro acontece pela segunda vez no Estado de São Paulo, após 197 anos. A espécie já foi considerado extinta entre os anos de 1940 e 1950.

“O trabalho demonstrou a importância do manejo adequado das Unidades de Conservação e suas zonas de amortecimento para garantir a perpetuação de espécies como esta”, comentou o gestor do Núcleo Caraguatatuba do parque estadual, Miguel Nema Neto.

A vigilante e autora do registro, Fabiana Dias Pereira, quase ignorou a descoberta. Durante uma ronda de rotina, com uma máquina fotográfica em mãos, Fabiana avistou uma ave que chamou a atenção e fez a foto. “Na hora pensei: parece um biguá. Olhando a foto, percebi que o bicho tinha um topete chique, mas não dei muita importância”, comentou. Levou tempo até que ela percebesse o feito. “Quatro meses se passaram, até que reconheci o pato-mergulhão numa reportagem da TV. Foi aí que caí na real: era uma ave considerada extinta no Estado de São Paulo e eu a encontrei!”

O pato-mergulhão é uma espécie adaptada a cursos hídricos de regiões montanhosas. Ela vive em rios límpidos e caudalosos de altitude, principalmente em corredeiras, pousando em rochas e árvores caídas na água. Alimenta-se de peixes e outros animais da fauna aquática. Instala ninho nas fendas de rochas e em ocos de árvores mortas, às margens dos rios.

Diante do registro, agora o trabalho será feito no sentido de preservar o ambiente adequado para o pato-mergulhão. “A partir desta descoberta, buscaremos apoio da comunidade científica para definirmos as estratégias de conservação, a fim de garantir a vida da espécie no local”, declarou Miguel Nema Neto.

A espécie é sensível a impactos ao meio ambiente e requer um habitat muito específico viver. Qualquer alteração hidrológica em seu habitat, como a expansão das atividades agropecuárias, a poluição e barramento de rios e a supressão de vegetação ciliar, podem inviabilizar sua sobrevivência no local.

 

*Com informações do Governo de São Paulo

 

 

 

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