Em cima de uma pedra o filhote de jararaca estava muito atento a alguma coisa que eu não consegui identificar. Possivelmente uma presa. Para não atrapalhar o almoço do animal eu fiz umas fotos rápidas e retornei por onde estava indo. À distância e sem interferir na ordem natural das coisas. Foto: Peterson de Almeida

Em cima de uma pedra o filhote de jararaca estava muito atento a alguma coisa que eu não consegui identificar. Possivelmente uma presa. Para não atrapalhar o almoço do animal eu fiz umas fotos rápidas e retornei por onde estava indo. À distância e sem interferir na ordem natural das coisas. Foto: Peterson de Almeida

Já falamos sobre diversos tipos de fotografia nesta coluna e, neste mês, o tema são as serpentes. São animais belos e bem perigosos que, se tomados os cuidados necessários, proporcionam excelentes registros fotográficos. Você produzirá uma imagem que as pessoas poderão apreciar e também observar, bem de perto, os detalhes do animal, sem risco algum para ele ou para o observante.

O que as serpentes têm de belo, também têm de desafiadoras. Tanto pela dificuldade de encontrá-las “jiboiando” por aí, quanto pelo perigo que oferecem. Sem falar na aversão natural que todos nós temos (uns mais que outros), uma herança/lembrança dos nossos ancestrais das cavernas, acho.

Cuidado com a serpente

Mesmo que esteja acostumado com estes animais, não tem como não sentir um frio na barriga quando dou de cara uma jararacuçu dessas na borda da trilha. Foto: Peterson de Almeida

Mesmo que esteja acostumado com estes animais, não tem como não sentir um frio na barriga quando dou de cara uma jararacuçu dessas na borda da trilha. Foto: Peterson de Almeida

 

Mesmo que a cobra não seja venenosa, ela sempre é um perigo. Cobras não mastigam o alimento. O processo digestivo começa na boca do animal, onde há uma infinidade de bactérias e ácidos que ajudam na digestão. Na mordida de uma espécie sem veneno, estas bactérias vão infeccionar a ferida e trazer uma série de complicações. Qualquer incidente, dependendo do quão distante a pessoa estiver de um socorro médico preparado atender esse tipo de emergência, pode ser fatal.

Sabendo disso, se encontrar uma serpente pelo caminho e decidir fotografá-la, mantenha distância segura. Isto porque o seu bote pode alcançar mais de 30 centímetros, dependendo do tamanho e espécie.

As cobras estão entre os animais mais preparados para se camuflar na natureza. Para dar destaque ao animal em relação à vegetação, o uso do flash pode ajudar muito o fotógrafo. A pele das cobras brilha bastante, principalmente se tiver trocado de pele recentemente. E como o fotógrafo vai estar distante, a luz forte do flash não vai estressar o bicho.

Jararacuçu. Em dias mais frios ou após ter comido, as cobras costumam estar menos ativas. Ficam paradas e enroladas em buracos ou tocas em meio à serapilheira. Apesar da aparente tranquilidade, ao menor sinal de ameaça vão dar o bote. Foto: Peterson de Almeida

Jararacuçu. Em dias mais frios ou após ter comido, as cobras costumam estar menos ativas. Ficam paradas e enroladas em buracos ou tocas em meio à serapilheira. Apesar da aparente tranquilidade, ao menor sinal de ameaça vão dar o bote. Foto: Peterson de Almeida

 

O instinto natural da maioria dos animais faz com que fujam de outros seres maiores, mas se sentirem ameaçados podem atacar para se defender. As cobras podem “entender” qualquer tipo de manipulação ou incômodo como forma de ameaça e certamente vai atacar para se safar. JAMAIS TENTE PEGAR OU MEXER NO ANIMAL!

Desta forma, o item primordial para esse tipo de fotografia é a teleobjetiva. Com a lente zoom você tem a garantia de fazer ótimas fotografias: próximas, mas  sem se expor.  

Onde estão?

Arrisco dizer que todas as vezes em que encontrei uma serpente pela floresta foram por acaso. Já vi serpente subindo em árvore, tomando sol numa pedra, atravessando a trilha, caindo de árvore (e quase me acertando). Um jeito mais estranha que o outro. São animais imprevisíveis: não dá para prever onde estarão e os quais os lugares mais “frequentados” por elas. Na floresta, você pode encontrá-las em qualquer lugar e a qualquer hora.

Se não estivesse lá para ver, não acreditaria que uma jiboia deste tamanho conseguiria subir numa árvore. Mas sim, elas conseguem! Esta aqui devia ter uns dois metros de comprimento e, pelo tamanho da barriga, deve ter feito um lanchinho nas alturas. Foto: Peterson de Almeida

Se não estivesse lá para ver, não acreditaria que uma jiboia deste tamanho conseguiria subir numa árvore. Mas sim, elas conseguem! Esta aqui devia ter uns dois metros de comprimento e, pelo tamanho da barriga, deve ter feito um lanchinho nas alturas. Foto: Peterson de Almeida

 

Dito isto, uma das poucas situações em que se pode supor que terá mais chance de encontrar uma serpente são nos dias quentes que seguem noites bem frias. A manhã de sol mais forte as atrai. Por serem animais de sangue frio, elas precisam de sol para aquecer o corpo. Já encontrei algumas vezes cobras se aquecendo naquelas manchas de sol que ficam na trilha. Mas, atenção: ao menor sinal  de outra presença, ela sai rapidamente do lugar, o que dificulta a fotografia.

Justamente por essa rapidez que o animal tem em se locomover, o bom é ficar atento. Caminhar com atenção à frente é fundamental. Lembre que com o zoom da câmera, você consegue admirar e fotografar sem ter que se aproximar.

Mais uma da série "cobras que pensam que são macacos". Esta caninana estava cruzando a trilha quando a vi. Ela logo percebeu minha presença e saiu rapidamente do caminho, subindo em uma arvorezinha próxima. Foto: Peterson de Almeida

Mais uma da série “cobras que pensam que são macacos”. Esta caninana estava cruzando a trilha quando a vi. Ela logo percebeu minha presença e saiu rapidamente do caminho, subindo em uma arvorezinha próxima. Foto: Peterson de Almeida

 

Com o tempo, a gente passa a saber identificar os animais na floresta pelos barulhos que fazem. Serpentes não emitem sons, mas eu já percebi a presença de uma que estava perto de mim porque fui capaz de identificar o som do seu rastejar sobre as folhas secas. Quando olhei na direção do barulho notei que lá estava uma jiboia bem grande, se movendo lentamente pela serapilheira. Clique certo!

Isso já aconteceu várias vezes. O barulho próximo à trilha, um som de arrasto nas folhas. São sons diferentes de um lagarto ou de quati, por exemplo, que ao se movimentarem fazem barulhos separados por passos, e não um som contínuo.

É bom estar atento aos sons também. O que me fez perceber essa jiboia foi o som que ela fazia ao se mover pelas folhas secas. Repare que mesmo que a pele do animal tenha um padrão de camuflagem bem parecido com as folhas, o flash ajudou muito destacando a cobra no ambiente. Foto: Peterson de Almeida

É bom estar atento aos sons também. O que me fez perceber essa jiboia foi o som que ela fazia ao se mover pelas folhas secas. Repare que mesmo que a pele do animal tenha um padrão de camuflagem bem parecido com as folhas, o flash ajudou muito destacando a cobra no ambiente. Foto: Peterson de Almeida

 

Atenção, cuidado e paciência são fundamentais. Boas fotos e até a próxima coluna!

 

 

 

 

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