Onça-pintada. Foto: Leonardo Mercon/Fundação Florestal


No último mês de março, as câmeras de monitoramento do projeto Onças da região do Vale do Ribeira e do Alto Paranapanema registraram uma suçuarana (Puma concolor) e, no dia seguinte, uma onça-pintada (Panthera onca) passeando por uma trilha do Parque Estadual Intervales (SP). Instaladas no Mosaico de Unidade de Conservação da Serra de Paranapiacaba, há mais de 10 anos as câmeras acompanham o desenvolvimento das onças na região. 

O projeto é coordenado pela pesquisadora de mastofauna Beatriz Beisiegel, em parceria com a Fundação Florestal e o Instituto Florestal. “Graças a estas identificações, podemos especular sobre a razão da curiosidade da onça-pintada: trata-se de um animal novo na área, investigando a identidade dos outros grandes felinos com os quais conviverá. A sensação de paz transmitida pelo comportamento de ambas as felinas não é acidental; o local onde os registros foram feitos é uma das áreas mais importantes para a sobrevivência das onças-pintadas em toda a Mata Atlântica”, explica a pesquisadora.

Os dados coletados pelo projeto permitem estimar que a população de onças-pintadas nessa área é de 9 a 35 animais. A pesquisa também constatou que cada uma das onças pode usar toda a extensão do Mosaico, além de florestas do entorno. Esses resultados enfatizam a necessidade de planejamento da proteção do Mosaico e do contínuo florestal com um todo.

Segunda a pesquisadora, a espécie está criticamente em perigo de extinção nesse bioma, com apenas 3  populações com possibilidades de sobreviver a longo prazo. O Mosaico de Paranapiacaba e as florestas adjacentes são a área-núcleo de uma dessas três populações.

Esse é um dos poucos projetos que acompanham, a longo prazo, uma população de onças-pintadas na Mata Atlântica, trazendo dados fundamentais sobre o uso das unidades de conservação ao longo dos anos por vários indivíduos, necessários para descrever a demografia da espécie e apontar áreas críticas para a sobrevivência das onças-pintadas. O projeto também atua, sob demanda, nas comunidades do entorno e interior das unidades a fim de prevenir e mitigar conflitos entre elas e os grandes felinos e sensibilizá-las para a importância das onças.

 

*Com informações da Fundação Florestal

 

 

 

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