Anta com o colar que transmite sinal GPS para os pesquisadores acompanharem suas andanças. Foto: Vitor Marigo/Projeto Refauna


Na última segunda-feira (08/08), mais um casal de antas foi solto na Reserva Particular do Patrimônio Natural Reserva Ecológica de Guapiaçu (RJ). Considerada extinta no estado do Rio de Janeiro há mais de 100 anos, a espécie voltou a povoar as florestas fluminenses em 2017 graças ao projeto Refauna, que busca reintroduzir a espécie na região.

Jorge e Magali nasceram no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. Soltos na unidade de conservação, os animais são equipados com um colar com GPS e rádio transmissor, brinco de identificação e microchip embaixo da pele, para que sejam monitorados. 

Além do casal já estão na floresta outras 5 antas, Flora, Júpiter, Eva, Valente e Floquinho, reintroduzidas na área desde 2017. Na próxima semana, está prevista a soltura de outros dois espécimes vindos do município paulista de Sorocaba e mais um animal nascido no Zoológico do Rio. A partir dessas reintroduções, o projeto vai pesquisar a capacidade de dispersão de sementes e ecologia espacial feita pelas antas, com a expectativa de que elas dispersem para o Parque Estadual dos Três Picos (RJ), unidade de conservação vizinha à reserva particular do patrimônio natural (RPPN).

A anta é conhecida como a jardineira da floresta. Foto: Vitor Marigo/Projeto Refauna


As antas (Tapirus terrestris) são animais de grande porte que podem pesar até 300 kg, por isto precisam de áreas grandes para viver. Segundo o professor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e coordenador do Refauna, Maron Galliez, a espécie é conhecida como jardineira das florestas, por contribuir para a disseminação de sementes. “Antes de serem soltas na mata, as antas passam por um período de aclimatação num cercado de um hectare dentro da reserva, onde se acostumam com o clima e a nova dieta. As antas são animais herbívoros, que comem folhas e frutos, contribuindo para espalhar sementes pela mata”.

Inciado em 2017, o trabalho é desenvolvido pela parceria entre Laboratório de Ecologia e Conservação de Populações (Lecp) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),  a Fundação RioZoo, o Laboratório de Estudos e Conservação de Florestas (Lecf) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e o Laboratório de Ecologia e Manejo de Animais Silvestres (Lemas) do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), com apoio da prefeitura do Rio.


Reintrodução de cutias

Além das antas, o Projeto Refauna faz a reintrodução de outras espécies-chave, como a cutia (Dasyprocta leporina), pequenos roedores que desempenham um papel essencial na dispersão de sementes pela floresta. A reintrodução das cutias começou em 2010 no Parque Nacional da Tijuca (RJ) e essa semana a equipe do projeto fez um flagra através de uma armadilha fotográfica: um fêmea solta no ano passado no parque está com seu primeiro filhote nascido na natureza. O flagra é uma boa indicação de que os animais estão bem estabelecidos na floresta e que a população está crescendo.

Uma cutia fêmea com seu primeiro filhote nascido na natureza. Foto de armadilha fotográfica



*Com informações da Agência Brasil

 

 

 

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