Típicos da Mata Atlântica, tangarás fazem dança pré-nupcial para conquistar a fêmea. Foto: Silverback/Netflix


Localizada no litoral do Paraná, a Reserva Natural Salto Morato (PR) foi retratada na série documental Nosso Planeta (Our Planet), lançada em todo mundo pela Netflix! A série produzida pela Silverback Films e WWF tem 8 episódios e apresenta espécies incomuns e espetáculos da natureza presentes em regiões polares, oceanos, desertos e florestas. O episódio gravado na unidade de conservação revela a dança pré-nupcial do tangará-dançarino (Chiroxiphia caudata), ave típica da Mata Atlântica.

Narrado pelo naturalista David Attenborough, o documentário retrata as belezas naturais do planeta, com imagens inéditas  de altíssima resolução da fauna e da flora. Fundamentado na ciência, ele mostra os principais desafios enfrentados pela natureza para resistir aos efeitos das mudanças climáticas e aos impactos causados pelo homem. Com isso, o projeto pretende  inspirar as pessoas a conhecer e preservar os ambientes naturais.

Gravado ao longo de quatro anos em 50 países, o roteiro do documentário inclui uma passagem pelo Brasil para capturar a dança pré-nupcial do tangará-dançarino. A curiosa performance de conquista está entre os principais hábitos da espécie: em grupos de 4 a 6 indivíduos enfileirados, os machos ensaiam e se revezam em acrobacias para se exibirem para a fêmea. Após a dança, a fêmea toma sua decisão.

A professora do departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Lilian Manica teve o primeiro contato com a produção do documentário em maio de 2016. Participante da rede internacional Manakins Research Coordination Network, que estuda espécies como o tangará, ela conta que os produtores buscavam aves que tivessem exibições de cortejo, de conquista da fêmea pelo macho. “O tangará se destaca entre outras espécies da família porque se trata de uma dança cooperativa”, relata.

Localizada em Guaraqueçaba, Reserva Natural Salto Morato (PR) está dentro do maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil. Foto: Fundação Grupo Boticário

Para registrar o rito, mais comum durante a primavera e o verão, a pesquisadora indicou a Reserva Natural Salto Morato, mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. “Nós encontramos os tangarás na Mata Atlântica, principalmente no Sul do País, mas acreditamos que Salto Morato era o local mais recomendado para as gravações por se tratar de uma área superpreservada, em um trecho onde o bioma está intocado”, destaca.

O biólogo Israel Schneiberg, que acompanhou as filmagens, revela que os cineastas estiveram no Brasil entre os meses de outubro e novembro de 2017. “A previsão era ficarmos na reserva durante 15 dias, mas por ser uma época de chuva intensa tivemos que ampliar o projeto. Conseguimos imagens dos tangarás apenas no 30º dia, quando estávamos indo embora”, afirma o doutorando em Ecologia e Conservação da UFPR.

Para a analista de Projetos de Conservação da Fundação Grupo Boticário, Natacha Sobanski, a visibilidade de um documentário como esse ajuda a despertar na população o desejo de conhecer e proteger a biodiversidade. “Apesar de o tangará ser uma ave comum na Mata Atlântica, poucas pessoas sabem sobre a sua existência, muito menos sobre esse ritual de corte pouco comum. Mostrar uma ave como essa em um documentário com escala global não só destaca a biodiversidade que encontramos no Brasil como também desperta a vontade das pessoas de conhecer e conservar, o que ainda estimula o ecoturismo e o desenvolvimento regional”, destaca.

Em entrevista à revista britânica TV Times, Attenborough destacou o ritual dos tangarás-dançarinos como um dos seus momentos favoritos do documentário. “A ave tem um cortejo de dança complicado. Uma das coisas mais divertidas para serem vistas porque os formam pequenos times como trapezistas”, disse.

Assista ao trailer da série. Já disponível na Netflix

 

 

*Com informações da Fundação Grupo Boticário

 

 

 

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