Em menos de um ano a RPPN Estação Veracel já recebeu mais de 700 observadores de aves. Foto: Duda Menegassi


A Costa do Descobrimento, no sul da Bahia, leva este nome porque foi o local onde a expedição portuguesa liderada por Cabral pousou os olhos pela primeira vez em solo brasileiro e anunciou o tão esperado “Terra à vista”. Mais de 500 anos depois, a paisagem antes dominada pela imensidão verde da Mata Atlântica já foi bastante alterada, mas ainda há muito para se descobrir em passeios pelas unidades de conservação que protegem os remanescentes de floresta da região. É a vez de outro anúncio: “Aves à vista”.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel (BA) é uma das unidades de conservação localizadas na Costa do Descobrimento que tem apostado no turismo de observação de aves. Desde setembro do ano passado, a reserva já recebeu mais de 700 observadores em busca de vislumbres e fotos das mais de 350 espécies de aves que ocorrem por lá. Destas, 49 são endêmicas da Mata Atlântica como o colorido crejoá (Cotinga maculata) e o raro beija-flor balança-rabo-canela (Glaucis dorhnii), ambos considerados em perigo de extinção. Difícil de ver, porém fácil de ouvir em uma caminhada pela reserva é o cricrió ou seringueiro (Lipaugus vociferans), típico da Amazônia.

Durante um passeio de cerca de 2 horas próximo ao centro de visitantes e na estrada de terra que dá acesso à reserva particular, a equipe do WikiParques observou espécies como a choca-de-sooretama (Thamnophilus ambiguus), a maitaca-de-barriga-azul (Pionus reichenowi) e o beija-flor rabo-branco-rubro (Phaethornis ruber). Mas o maior destaque dos céus da Estação Veracel, literalmente, é a harpia (Harpia harpyja), também conhecida como gavião-real. A espécie é a maior ave de rapina do Brasil com mais de dois metros de envergadura. Dois ninhos já foram identificados dentro da área protegida e ambos estão sendo monitorados pela equipe da reserva. Apesar de estarem fora da área oficial de visitação, um observador sortudo pode flagrar a enorme ave cruzando os céus da Estação.

Um filhote de harpia em um dos ninhos encontrados dentro da RPPN. Foto: Duda Menegassi


Com essa rica lista de espécies que ocorrem na reserva, a expectativa da gestora da RPPN, Virgínia Camargos é transformar a atividade em uma fonte de renda alternativa para os moradores do entorno para mudar a percepção deles sobre conservação ambiental e com isso combater o principal problema enfrentado pela Estação: a caça. “Nós queremos que os caçadores aposentem a espingarda e peguem a câmera ou o binóculo”, pontua Virgínia.

De acordo com Virgínia, a ideia é procurar por potenciais guias para passeios de observação de aves entre os próprios moradores do entorno. Para isso, já foram realizados dois treinamentos voltados para o ecoturismo e para observação, a fim de identificar pessoas com essa vocação e paixão pelas aves. A gestora adianta também que está prevista para ano que vem a construção de uma torre de observação para estimular ainda mais a vinda de visitantes que queiram conhecer de perto a avifauna da reserva.

Aves da Costa do Descobrimento

Para atender aos observadores de aves, foi produzido o guia de bolso “Aves da Costa do Descobrimento”, que ajuda a identificar as principais espécies que podem ser avistadas na região. A publicação foi fruto de uma parceria entre quatro unidades de conservação: o Parque Nacional do Pau Brasil (BA), a Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel (BA), a Reserva Particular do Patrimônio Natural Rio do Brasil (BA) e o Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades (BA), todas elas localizadas no município de Porto Seguro. O guia foi organizado pela Conservação Internacional (CI) e pode ser acessado e baixado gratuitamente neste link.

O beija-flor-de-fronte-violeta é uma das espécies de aves que ocorrem na RPPN e está ilustrada no guia. Foto: Duda Menegassi


Expedição Tesouros do Brasil

Alinhado com o incentivo ao ecoturismo, o projeto de educação ambiental “Expedição Tesouros do Brasil”, financiado pela Veracel, faz da observação de aves uma ferramenta para sensibilizar as crianças sobre a importância da conservação através do “Mapa das Aves da RPPN Estação Veracel”. A iniciativa, liderada pelos biólogos Caio Brito e Tati Pongiluppi, percorre escolas e comunidades do entorno da reserva com a missão de despertar as crianças para o valor do patrimônio natural que elas possuem tão perto de casa.

Muito mais para observar

Além de observar as aves, outro destaque na Estação Veracel está com as raízes fincadas no solo: as árvores. A reserva particular possui uma impressionante média de 379 espécies arbóreas por hectare, entre elas árvores como o emblemático pau-brasil (Paubrasilia echinata). A visitação na RPPN Estação Veracel requer agendamento prévio e as trilhas são feitas com o acompanhamento de um monitor ambiental da unidade de conservação. É possível entrar em contato com a reserva através do e-mail estacaoveracel@veracel.com.br ou do telefone (73)3166-8755.

Uma monitora acompanha os visitantes pelas trilhas da reserva. Foto: Duda Menegassi


*Reportagem feita à convite da RPPN Estação Veracel

 

 

 

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