Mudanças entre as edições de "Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim"

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:: Viação Rio Ita – Niterói x Itambi<br />
 
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|Tickets=Não há cobrança de ingressos.
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|Where to stay=Hotel Canopus (Magé): https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g2342813-d2686184-Reviews-Canopus_Hotel-Mage_State_of_Rio_de_Janeiro.html
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Hotel Ibis (Itaboraí): https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g2342816-d4420703-Reviews-Ibis_Itaborai-Itaborai_State_of_Rio_de_Janeiro.html
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|Objectives=Proteger os manguezais situados na região oridental da Baía da Guanabara, a região situada na foz dos Rios Iriri, Roncador, Guapi-Mirim e Imboaçu.
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|History=No final dos anos 70, a baía da Guanabara já apresentava graves problemas de poluição ocasionados pela histórica ocupação desordenada de suas margens pela população e pelas indústrias. Já era comum o lixo sobre as águas e o desmatamento do mangue. Assim, numa tentativa de estancar o processo de poluição da baía, a Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC) promoveu um seminário em 1978. Nesse seminário, as biólogas Norma Crud e Dorothy Araújo, funcionárias da FEEMA, fizeram apresentação dos manguezais do fundo da baía da Guanabara, últimos remanescentes desse ecossistema na região. Durante a apresentação, o professor da UFRJ Elmo da Silva Amador, especialista em manguezais, propôs a criação de uma Unidade de Conservação na região, sendo prontamente aceita a proposta.
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Assim, em 5 de Junho de 1978 a comunidade científica e os órgãos ambientais pediam oficialmente ao governo militar a criação de uma Unidade de Conservação no recôncavo da Guanabara. A idéia foi muito bem vista pelos veículos de comunicação que lançavam constantes matérias sobre a importância da preservação da vida marinha e do nascimento da consciência ecológica. Duas importantes figuras destacam-se nesse momento. Tomaz Langenbach pela SBPC e Paulo Nogueira Neto pelo Governo Federal.
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Porém, naquela época, era mais comum destruir do que preservar. E o Ministério do Interior anunciou, em 1979, o Projeto Rio, que aterraria 27 km2 de manguezais e 7 comunidades, para criar áreas industriais. O projeto foi combatido pelos moradores da região, pela UFRJ e pela Associação dos Geógrafos Brasileiros. A brava resistência transformou o Projeto Rio em um projeto de habitação popular e de apoio na criação da APA. Em 1981, nova ameaça. A baixada fluminense foi assolada por vigorosas chuvas, que levaram o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) a anunciar a retificação de rios e abertura de canais para evitar as cheias. Mas a SEMA se mostrou contrária à idéia após ouvir a SBPC.
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Os jornais continuavam noticiando a necessidade de preservação da baía. Em 1984, o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, exibiu a intenção de criar uma Unidade de Conservação Estadual na região. Mas a resposta do Governo federal foi rápida: em setembro do mesmo ano estava criada a APA de Guapi-Mirim com 14,3 mil hectares, nos municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo. Nasce a primeira Unidade de Conservação de Manguezais do Brasil, pelo Decreto 90.225, de 25 de setembro de 1984.
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Um dos pais da APA de Guapi-Mirim, o professor e ambientalista Elmo Amador, resumiu assim o processo de criação: “Os manguezais que se constituem no ecossistema mais característico da Baía de Guanabara em 1500 orlavam quase todo o litoral e ocupavam uma extensão de cerca de 270 km2 . Os 80 km2 remanescentes estão quase todos concentrados na APA de Guapi-Mirim que abriga os derradeiros manguezais da Guanabara. É a maior extensão de manguezais do Estado do Rio de Janeiro. A APA de Guapi-Mirim ou dos Manguezais da Baía de Guanabara, foi produto de uma luta demorada e árdua entre duas concepções de ocupação da área. De um lado o todo poderosos DNOS (Departamento Nacional de Obras e Saneamento) que visava a drenagem da região com a erradicação "dos pestilentos mangues" para produção de terrenos de outro uma visão ambientalista de defesa dos manguezais e de sua importantes funções. A luta permitiu a popularização da importância do ecossistema. Foi a primeira unidade de conservação de manguezal do Brasil e também a primeira conduzida pela ação da cidadania”.
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Durante a década de 1990 e início do novo milênio, os poucos recursos financeiros e de pessoal impediam o maior desenvolvimento da Unidade. No entanto, grandes foram as vitórias daqueles que trabalharam na APA de Guapi-Mirim naquela época: o trabalho constante em empresas potencialmente poluidoras da região regularam boa parte da emissão de efluentes líquidos nos rios da APA; a recepção de escolas e a capacitação de 40 professores trouxe a primeira idéia de educação ambiental; a portaria do tamanho mínimo de captura do robalo (2000) e criação do defeso do caranguejo (2002) foram resultados do trabalho em conjunto como CEPSUL, isso sem falar nas lutas estruturais, pois foi nessa época que se construiu a primeira sede de alvenaria para a APA.
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Em 1989, com a criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), este órgão passou a ser o responsável pela gestão da APA de Guapi-Mirim, e o Procurador Federal Radamés Marzullo foi então seu primeiro chefe. Em 21 de Janeiro 1993, a Sendas, empresa proprietária de grande parte das terras no entorno da APA faz doação do terreno de 7.100 m2 localizado no Km 12,8 da BR 493. Este é o local até hoje onde se encontra a sede da UC.
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Na virada do milênio, os grandes desastres ambientais da região. No início do ano 2000 o vazamento de 1,3 milhões de litros óleo da refinaria Duque de Caxias cobriu grande parte da área da APA, gerando mortandade de peixes, crustáceos e paralisação das atividades pesqueiras na região. Em abril de 2005, novo acidente. Dessa vez, um acidente de trem da Ferrovia Centro-Atlântica (Vale do Rio Doce) derramou 60.000 litros de óleo diretamente no Rio Caceribu, chegando à Baía de Guanabara.  Os jornais noticiaram incessantemente à época e a opinião pública fez com que fortes medidas contra as empresas fossem tomadas.
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No entanto, como parte das mitigações dos acidentes, uma nova sede foi construída em substituição à antiga casa pré-moldada de madeira; 5 novos veículos passam auxiliar no deslocamento das equipes; novos barcos fiscalizam os rios, computadores para agilizar o trabalho e o acesso à informação... agora a APA já possui estrutura adequada para realizar um melhor trabalho de proteção ambiental. Isso sem falar das áreas verdes a serem recuperadas, processo que ainda não terminou, mas que se mostra cada dia mais firme.
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Em dezembro de 2000 o IBAMA e o Batalhão de Policia Florestal fecham convênio que coloca uma guarnição 24 h por dia na APA Guapimirim que presta apoio às ações de fiscalização.
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Em 2001 é formado o Conselho Gestor da APA, trazendo a sociedade para dentro da UC e participando diretamente das decisões. A composição é diversificada e os usuários diretos estão fortemente representados.
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Em 29 de Junho de 2004 o Plano de Manejo da APA é instituído pela Portaria IBAMA número 63/04.
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Em 2006 o governo federal cria, pelo decreto s/n° de 15 de fevereiro de 2006, a Estação Ecológica da Guanabara - Unidade de Conservação de Proteção Integral – voltada para a pesquisa e para a Educação Ambiental. A ESEC Possui cerca de 2.000 hectares, abrangendo parte dos municípios de Guapimirim e Itaboraí. É a área mais conservada de toda Baía de Guanabara, apresentando características ecológicas e biológicas compatíveis com os manguezais isentos de intervenção humana e agressiva. É a última área da Baía de Guanabara a apresentar característica cênicas extremamente próximas ao período anterior à colonização européia do País. Constitui um dos últimos trechos de manguezal contínuo de médio porte, além de abrigar espécies ameaçadas de extinção, no estado do Rio de Janeiro, como a biguatinga  (Anhinga anhinga), a marreca-caneleira  (Dendrocygna bicolor), e o jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris).
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Em 20 de Agosto de 2007 é assinado o Termo de Ajustamento de Conduta entre IBAMA, Ferrovia Centro-Atlântico e Ministério Público Federal em resposta ao acidente de 2005.
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Ainda em 2007, é criado no dia 28 de agosto, pela Lei 11.516  o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio - Uma autarquia em regime  especial, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, que passou a ser órgão gestor das Unidades de Conservação Federais.
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No dia 9 de dezembro de 2010, a APA e ESEC, ganham mais um reforço para sua conservação: o Fundo Guanabara - Um aporte financeiro constante para auxiliar a gestão das áreas e estimular pesquisas na região. O programa faz parte do Fundo Pró-Unidades de Conservação Marinhas proposto pela SOS Mata Atlântica.
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No dia 27 de maio de 2011 a Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim recebeu a aprovação do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) para se tornar um posto avançado da Reserva. Breno Herrera, considera que o reconhecimento da APA como posto avançado da RBMA é um importante passo na divulgação da importância dessa área protegida. “Através deste reconhecimento vinculado a um programa internacional de conservação (Man and Biosphere, integrante da UNESCO) fica reforçado o valor da APA como área estratégica para a proteção do bioma da Mata Atlântica. É um título merecido para a unidade de conservação responsável pela manutenção da vida na tão combalida e ameaçada baía de Guanabara.
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Em 2012, a Estação Ecológica (ESEC) da Guanabara, teve seu Plano de Manejo aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A portaria, de número 34, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 13 de março. 
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No meado de 2012, é aprovado o Circuito de Ecoturismo da APA e ESEC, pela Instrução Normativa 27, DE 04 DE julho DE 2012, que define critérios para credenciamento e autorização dos serviços de condução de visitantes com fins recreacionais, educacionais ou de pesquisa, nas áreas de domínio público da Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim. 
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|Features=Rios Iriri, Guapi-Macacu, Guaraí, Caceribu; mangeuzais, praias de Remanso e Piedade.
 
|Geography and climate====Clima===
 
|Geography and climate====Clima===
 
A '''APA de Guapi-Mirim''' insere-se entre as isoietas de 1250 e 2000mm da Zona dos Maciços Costeiros à Zona do Sopé da Serra do Mar e seu clima sofre a influência de diversos fatores físicos significativos, tais como altitude e disposição do relevo, aos quais somam-se a presença da Massa Equatorial Continental no verão, da massa Tropical Atlântica no restante do ano e das constantes incursões da Frente Polar Atlântica, sobretudo na primavera.
 
A '''APA de Guapi-Mirim''' insere-se entre as isoietas de 1250 e 2000mm da Zona dos Maciços Costeiros à Zona do Sopé da Serra do Mar e seu clima sofre a influência de diversos fatores físicos significativos, tais como altitude e disposição do relevo, aos quais somam-se a presença da Massa Equatorial Continental no verão, da massa Tropical Atlântica no restante do ano e das constantes incursões da Frente Polar Atlântica, sobretudo na primavera.
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A Serra do Mar, que se encontra ao fundo, caracteriza-se pelo relevo acentuado escarpado com cotas acima de 700 metros, onde se destacam picos bastante proeminentes, alguns acima de 1200m.
 
A Serra do Mar, que se encontra ao fundo, caracteriza-se pelo relevo acentuado escarpado com cotas acima de 700 metros, onde se destacam picos bastante proeminentes, alguns acima de 1200m.
  
Na passagem do maciço costeiro para a área do fundo da baía, onde se localiza a APA, não se nota encostas escarpadas, reduzindo-se o maciço a morros e colinas. Apenas do lado da Serra do Mar é que se verifica uma passagem súbita da baixada quaternária para o cristalino.  
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Na passagem do maciço costeiro para a área do fundo da baía, onde se localiza a APA, não se nota encostas escarpadas, reduzindo-se o maciço a morros e colinas. Apenas do lado da Serra do Mar é que se verifica uma passagem súbita da baixada quaternária para o cristalino.
 
 
 
|Fauna and flora====Fauna===
 
|Fauna and flora====Fauna===
 
Apesar da riqueza específica característica da fauna dos manguezais e do conjunto de pesquisas desenvolvidas ou em curso na APA de Guapimirim, existem poucos estudos disponíveis sobre os animais do Recôncavo da Baía de Guanabara.
 
Apesar da riqueza específica característica da fauna dos manguezais e do conjunto de pesquisas desenvolvidas ou em curso na APA de Guapimirim, existem poucos estudos disponíveis sobre os animais do Recôncavo da Baía de Guanabara.
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'''Moluscos:''' Caramujo do mangue (''Melampus coffeus''), Samanguaiá (''Anomalocardia brasiliana''), Macoma (''Macoma constricta'').<br />
 
'''Moluscos:''' Caramujo do mangue (''Melampus coffeus''), Samanguaiá (''Anomalocardia brasiliana''), Macoma (''Macoma constricta'').<br />
 
'''Répteis:''' Jacaré (''Caiman sp'').<br />
 
'''Répteis:''' Jacaré (''Caiman sp'').<br />
'''Mamíferos:''' Preá (''Cavia sp''), Capivara (''Hydrochoerus sp''), Lontra (''Lutra Longicaudis'')  
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'''Mamíferos:''' Preá (''Cavia sp''), Capivara (''Hydrochoerus sp''), Lontra (''Lutra Longicaudis'')
 
 
 
 
 
 
 
|Sources=[http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/imgs-unidades-coservacao/apa_guapi_mirim.pdf Plano de Manejo]<br />
 
|Sources=[http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/imgs-unidades-coservacao/apa_guapi_mirim.pdf Plano de Manejo]<br />
 
[http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros/marinho/unidades-de-conservacao-marinho/2243 Página ICMBio]
 
[http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros/marinho/unidades-de-conservacao-marinho/2243 Página ICMBio]
 
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Edição atual tal como às 17h10min de 27 de abril de 2016




Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim
Esfera Administrativa: Federal
Estado: Rio de Janeiro
Município: Guapimirim, Itaboraí, Magé, São Gonçalo
Categoria: Área de Proteção Ambiental
Bioma: Marinho Costeiro
Área: 13.926,6200 hectares
Diploma legal de criação: Decreto nº 90.225 de 25 de setembro de 1984
Coordenação regional / Vinculação: ICMBio CR8 - Rio de Janeiro
Contatos: Telefones: (21) 2633-0079/VOIP (61) 2028-9903

E-mail da Unidade: [1]

Localização

BR 493 km 12,8
CEP 25000900
Bairro: Vale das Pedrinhas
Cidade: Guapimirim
UF: RJ

Como chegar

Os principais acessos à APA de Guapi-Mirim são:

  • Rodovia BR-116 (Rio-Bahia), via Teresópolis, até alcançar a entrada para a cidade de Magé, seguindo então pela Rodovia BR-493 (Estrada do Contorno da Baía de Guanabara);
  • Rodovia BR-101, via Niterói, até alcançar a localidade de Manilha, seguindo então, pela Rodovia BR-493.
  • A área ainda pode ser alcançada por via marítima, através da Baía de Guanabara.
  • Linhas de ônibus regulares:
Viação Expresso Rio de Janeiro – Niterói x Magé
Viação Rio Ita – Niterói x Itambi
Viação Rio Minho – Niterói x Magé

Ingressos

Não há cobrança de ingressos.

Onde ficar

Hotel Canopus (Magé): https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g2342813-d2686184-Reviews-Canopus_Hotel-Mage_State_of_Rio_de_Janeiro.html

Hotel Ibis (Itaboraí): https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g2342816-d4420703-Reviews-Ibis_Itaborai-Itaborai_State_of_Rio_de_Janeiro.html

Objetivos específicos da unidade

Proteger os manguezais situados na região oridental da Baía da Guanabara, a região situada na foz dos Rios Iriri, Roncador, Guapi-Mirim e Imboaçu.

Histórico

No final dos anos 70, a baía da Guanabara já apresentava graves problemas de poluição ocasionados pela histórica ocupação desordenada de suas margens pela população e pelas indústrias. Já era comum o lixo sobre as águas e o desmatamento do mangue. Assim, numa tentativa de estancar o processo de poluição da baía, a Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC) promoveu um seminário em 1978. Nesse seminário, as biólogas Norma Crud e Dorothy Araújo, funcionárias da FEEMA, fizeram apresentação dos manguezais do fundo da baía da Guanabara, últimos remanescentes desse ecossistema na região. Durante a apresentação, o professor da UFRJ Elmo da Silva Amador, especialista em manguezais, propôs a criação de uma Unidade de Conservação na região, sendo prontamente aceita a proposta.

Assim, em 5 de Junho de 1978 a comunidade científica e os órgãos ambientais pediam oficialmente ao governo militar a criação de uma Unidade de Conservação no recôncavo da Guanabara. A idéia foi muito bem vista pelos veículos de comunicação que lançavam constantes matérias sobre a importância da preservação da vida marinha e do nascimento da consciência ecológica. Duas importantes figuras destacam-se nesse momento. Tomaz Langenbach pela SBPC e Paulo Nogueira Neto pelo Governo Federal.

Porém, naquela época, era mais comum destruir do que preservar. E o Ministério do Interior anunciou, em 1979, o Projeto Rio, que aterraria 27 km2 de manguezais e 7 comunidades, para criar áreas industriais. O projeto foi combatido pelos moradores da região, pela UFRJ e pela Associação dos Geógrafos Brasileiros. A brava resistência transformou o Projeto Rio em um projeto de habitação popular e de apoio na criação da APA. Em 1981, nova ameaça. A baixada fluminense foi assolada por vigorosas chuvas, que levaram o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) a anunciar a retificação de rios e abertura de canais para evitar as cheias. Mas a SEMA se mostrou contrária à idéia após ouvir a SBPC.

Os jornais continuavam noticiando a necessidade de preservação da baía. Em 1984, o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, exibiu a intenção de criar uma Unidade de Conservação Estadual na região. Mas a resposta do Governo federal foi rápida: em setembro do mesmo ano estava criada a APA de Guapi-Mirim com 14,3 mil hectares, nos municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo. Nasce a primeira Unidade de Conservação de Manguezais do Brasil, pelo Decreto 90.225, de 25 de setembro de 1984.

Um dos pais da APA de Guapi-Mirim, o professor e ambientalista Elmo Amador, resumiu assim o processo de criação: “Os manguezais que se constituem no ecossistema mais característico da Baía de Guanabara em 1500 orlavam quase todo o litoral e ocupavam uma extensão de cerca de 270 km2 . Os 80 km2 remanescentes estão quase todos concentrados na APA de Guapi-Mirim que abriga os derradeiros manguezais da Guanabara. É a maior extensão de manguezais do Estado do Rio de Janeiro. A APA de Guapi-Mirim ou dos Manguezais da Baía de Guanabara, foi produto de uma luta demorada e árdua entre duas concepções de ocupação da área. De um lado o todo poderosos DNOS (Departamento Nacional de Obras e Saneamento) que visava a drenagem da região com a erradicação "dos pestilentos mangues" para produção de terrenos de outro uma visão ambientalista de defesa dos manguezais e de sua importantes funções. A luta permitiu a popularização da importância do ecossistema. Foi a primeira unidade de conservação de manguezal do Brasil e também a primeira conduzida pela ação da cidadania”.

Durante a década de 1990 e início do novo milênio, os poucos recursos financeiros e de pessoal impediam o maior desenvolvimento da Unidade. No entanto, grandes foram as vitórias daqueles que trabalharam na APA de Guapi-Mirim naquela época: o trabalho constante em empresas potencialmente poluidoras da região regularam boa parte da emissão de efluentes líquidos nos rios da APA; a recepção de escolas e a capacitação de 40 professores trouxe a primeira idéia de educação ambiental; a portaria do tamanho mínimo de captura do robalo (2000) e criação do defeso do caranguejo (2002) foram resultados do trabalho em conjunto como CEPSUL, isso sem falar nas lutas estruturais, pois foi nessa época que se construiu a primeira sede de alvenaria para a APA.

Em 1989, com a criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), este órgão passou a ser o responsável pela gestão da APA de Guapi-Mirim, e o Procurador Federal Radamés Marzullo foi então seu primeiro chefe. Em 21 de Janeiro 1993, a Sendas, empresa proprietária de grande parte das terras no entorno da APA faz doação do terreno de 7.100 m2 localizado no Km 12,8 da BR 493. Este é o local até hoje onde se encontra a sede da UC.

Na virada do milênio, os grandes desastres ambientais da região. No início do ano 2000 o vazamento de 1,3 milhões de litros óleo da refinaria Duque de Caxias cobriu grande parte da área da APA, gerando mortandade de peixes, crustáceos e paralisação das atividades pesqueiras na região. Em abril de 2005, novo acidente. Dessa vez, um acidente de trem da Ferrovia Centro-Atlântica (Vale do Rio Doce) derramou 60.000 litros de óleo diretamente no Rio Caceribu, chegando à Baía de Guanabara. Os jornais noticiaram incessantemente à época e a opinião pública fez com que fortes medidas contra as empresas fossem tomadas.

No entanto, como parte das mitigações dos acidentes, uma nova sede foi construída em substituição à antiga casa pré-moldada de madeira; 5 novos veículos passam auxiliar no deslocamento das equipes; novos barcos fiscalizam os rios, computadores para agilizar o trabalho e o acesso à informação... agora a APA já possui estrutura adequada para realizar um melhor trabalho de proteção ambiental. Isso sem falar das áreas verdes a serem recuperadas, processo que ainda não terminou, mas que se mostra cada dia mais firme. 

Em dezembro de 2000 o IBAMA e o Batalhão de Policia Florestal fecham convênio que coloca uma guarnição 24 h por dia na APA Guapimirim que presta apoio às ações de fiscalização.

Em 2001 é formado o Conselho Gestor da APA, trazendo a sociedade para dentro da UC e participando diretamente das decisões. A composição é diversificada e os usuários diretos estão fortemente representados.

Em 29 de Junho de 2004 o Plano de Manejo da APA é instituído pela Portaria IBAMA número 63/04.
Em 2006 o governo federal cria, pelo decreto s/n° de 15 de fevereiro de 2006, a Estação Ecológica da Guanabara - Unidade de Conservação de Proteção Integral – voltada para a pesquisa e para a Educação Ambiental. A ESEC Possui cerca de 2.000 hectares, abrangendo parte dos municípios de Guapimirim e Itaboraí. É a área mais conservada de toda Baía de Guanabara, apresentando características ecológicas e biológicas compatíveis com os manguezais isentos de intervenção humana e agressiva. É a última área da Baía de Guanabara a apresentar característica cênicas extremamente próximas ao período anterior à colonização européia do País. Constitui um dos últimos trechos de manguezal contínuo de médio porte, além de abrigar espécies ameaçadas de extinção, no estado do Rio de Janeiro, como a biguatinga  (Anhinga anhinga), a marreca-caneleira  (Dendrocygna bicolor), e o jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris).
Em 20 de Agosto de 2007 é assinado o Termo de Ajustamento de Conduta entre IBAMA, Ferrovia Centro-Atlântico e Ministério Público Federal em resposta ao acidente de 2005.
Ainda em 2007, é criado no dia 28 de agosto, pela Lei 11.516  o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio - Uma autarquia em regime  especial, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, que passou a ser órgão gestor das Unidades de Conservação Federais. 

No dia 9 de dezembro de 2010, a APA e ESEC, ganham mais um reforço para sua conservação: o Fundo Guanabara - Um aporte financeiro constante para auxiliar a gestão das áreas e estimular pesquisas na região. O programa faz parte do Fundo Pró-Unidades de Conservação Marinhas proposto pela SOS Mata Atlântica.

No dia 27 de maio de 2011 a Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim recebeu a aprovação do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) para se tornar um posto avançado da Reserva. Breno Herrera, considera que o reconhecimento da APA como posto avançado da RBMA é um importante passo na divulgação da importância dessa área protegida. “Através deste reconhecimento vinculado a um programa internacional de conservação (Man and Biosphere, integrante da UNESCO) fica reforçado o valor da APA como área estratégica para a proteção do bioma da Mata Atlântica. É um título merecido para a unidade de conservação responsável pela manutenção da vida na tão combalida e ameaçada baía de Guanabara.

Em 2012, a Estação Ecológica (ESEC) da Guanabara, teve seu Plano de Manejo aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A portaria, de número 34, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 13 de março.

No meado de 2012, é aprovado o Circuito de Ecoturismo da APA e ESEC, pela Instrução Normativa 27, DE 04 DE julho DE 2012, que define critérios para credenciamento e autorização dos serviços de condução de visitantes com fins recreacionais, educacionais ou de pesquisa, nas áreas de domínio público da Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim.

Atrações

Rios Iriri, Guapi-Macacu, Guaraí, Caceribu; mangeuzais, praias de Remanso e Piedade.

Aspectos naturais

Relevo e clima

Clima

A APA de Guapi-Mirim insere-se entre as isoietas de 1250 e 2000mm da Zona dos Maciços Costeiros à Zona do Sopé da Serra do Mar e seu clima sofre a influência de diversos fatores físicos significativos, tais como altitude e disposição do relevo, aos quais somam-se a presença da Massa Equatorial Continental no verão, da massa Tropical Atlântica no restante do ano e das constantes incursões da Frente Polar Atlântica, sobretudo na primavera.

Segundo a classificação de Köppen, o clima predominante da região da APA de Guapi-Mirim é do tipo AW, quente e úmido, com estação chuvosa na primavera-verão.

Relevo

A APA de Guapi-Mirim está inserida na Baixada da Guanabara, que se caracteriza como uma depressão limitada ao Sul pelo maciço costeiro e ao norte pela Serra do Mar. Deste modo, a área da APA de Guapi-Mirim e arredores apresenta uma topografia suave, representada pelos modelados de acumulação e algumas ocorrências colinosas, representando o modelado de dissecação .

Esse maciço costeiro apresenta maiores altitudes ao sul, onde termina por encostas abruptas ao pé das quais se estendem planícies e lagoas (Itaipu, Piratininga, entre outras). Para o norte, decrescem progressivamente as altitudes até alcançar a baixada quaternária onde se localiza a APA, da qual sobressaem pequenas colinas e morros isolados.

A Serra do Mar, que se encontra ao fundo, caracteriza-se pelo relevo acentuado escarpado com cotas acima de 700 metros, onde se destacam picos bastante proeminentes, alguns acima de 1200m.

Na passagem do maciço costeiro para a área do fundo da baía, onde se localiza a APA, não se nota encostas escarpadas, reduzindo-se o maciço a morros e colinas. Apenas do lado da Serra do Mar é que se verifica uma passagem súbita da baixada quaternária para o cristalino.

Fauna e flora

Fauna

Apesar da riqueza específica característica da fauna dos manguezais e do conjunto de pesquisas desenvolvidas ou em curso na APA de Guapimirim, existem poucos estudos disponíveis sobre os animais do Recôncavo da Baía de Guanabara.

Na realidade, dispõe-se apenas de levantamentos e diagnósticos mais completos para a avifauna e para a ictiologia, sendo que tanto um táxon quanto outro apresentam alta riqueza específica na região.

Avifauna

No caso da avifauna, foram registradas 172 espécies, pertencentes a 45 famílias, envolvendo um complexo grupo de aves residentes, visitantes e espécies que nidificam na região. Não há informações sobre o endemismo local de tais espécies, mas várias são citadas como endêmicas do Brasil. A alta diversidade específica da avifauna enfatiza a importância da APA de Guapimirim enquanto área de pouso de aves de arribação e permite destacar também o potencial APA enquanto local de observação de aves, podendo ser um importante instrumento para estimular o turismo ecológico para esta região.

Ictiofauna

A região do alto curso do Rio Macacu possui suas ictiocenoses compostas por 32 espécies, sendo a maioria pertencente à ordem Siluriforme. A dominância de Siluriformes sobre os demais constitui um padrão característico da região leste do Brasil, particularmente acentuado nas áreas de alto curso dos rios, onde a condição de elevado hidrodinamismo favorece a ocupação do local por espécies demersais, um hábito predominante dentre os Siluriformes.

Crustáceos

Dentre as espécies de crustáceos existentes na área destacam-se o caranguejo-uçá (Ucides cordatus), o siri-azul (Callinectes danae), o guaiamum (Cardisoma guanhumi), e o camarãozinho-canhoto (Alpheus heterochaelis). Dentre estes, o caranguejo-uçá constitui uma das principais fontes de renda para a população local e, em vista disso, encontra-se em andamento uma pesquisa sobre a dinâmica de suas populações a fim de subsidiar a elaboração de portarias sobre o defeso do caranguejo-uçá.

Outros

Além dos elementos da fauna acima descritos, também existem registros das seguintes espécies na APA de Guapimirim:

Insetos: Vários tipos de borboletas, lavadeiras, libélulas (Zigoptera e Anisóptera), abelhas, mutucas (Tabanidae) e maruins (Ceratopogonidae).
Crustáceos: Cracas (Balanus sp), Aratu (Goniopsis cruentata), Marinheiro (Aratus pisonii), Chama-maré (Uca sp).
Moluscos: Caramujo do mangue (Melampus coffeus), Samanguaiá (Anomalocardia brasiliana), Macoma (Macoma constricta).
Répteis: Jacaré (Caiman sp).
Mamíferos: Preá (Cavia sp), Capivara (Hydrochoerus sp), Lontra (Lutra Longicaudis)

Problemas e ameaças

Fontes

Plano de Manejo
Página ICMBio