Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã



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Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã
Esfera Administrativa: Federal
Estado: Rio Grande do Sul
Município: Santana do Livramento, Rosário do Sul, Quaraí e Alegrete
Categoria: Área de Proteção Ambiental
Bioma: Pampa
Área: 316790,42
Diploma legal de criação: Decreto Federal 529, publicado em 20 de maio de 1992
Coordenação regional / Vinculação: Coordenação Regional 9 - ICMBio - Florianópolis/SC
Contatos: Escritório da Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã/ICMBio

Rua Treze de Maio, 410 sala 702 - Centro
Santana do Livramento/RS
CEP 97573-500
Telefone: (55) 8133-0416
Telefone: (55) 3243-6755
E-mail: apa_ibirapuita@yahoo.com.br
E-mail: Eridiane eridiane.silva@icmbio.gov.br
E-mail: Raul raul.coelho@icmbio.gov.br
Página Web: http://sites.google.com/site/apadoibirapuita
Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/apa.doibirapuita

Índice

Localização

Localizada na porção superior da Bacia Hidrográfica do Rio Ibirapuitã, seu território está distribuído pela zona rural dos municípios de Alegrete/RS, Quaraí/RS, Rosário do Sul/RS e Santana do Livramento/RS. O limite sul da APA do Ibirapuitã coincide com a fronteira internacional entre Brasil e Uruguai. O limite norte da APA coincide com o trevo existente junto ao Cerro do Catimbau (Alegrete/RS) e com o limite sul do Entorno da Reserva Biológica do Ibirapuitã (Unidade de Conservação Estadual com 308,28 hectares (criada em 10 de junho de 1976 através do Decreto Estadual Nº 31.788). O limite oeste da APA é a estrada do Passo da Guarda (Santana do Livramento). O limite Leste da APA inicia na estrada dos Cerros Verdes, segue o divisor de águas entre a Bacia do Ibirapuitã e a Bacia do Rio Santa Maria, até que em Rosário do Sul/RS este limite passa a fazer um recorte que encontra a estrada do Catimbau em Alegrete/RS.

  • Localização do território da APA do Ibirapuitã em relação aos municípios que a abrigam (apa_localiza.gif)

Como chegar

Existem poucos acessos, todos por estradas não pavimentadas que, em geral, percorrem os limites da mesma. O rio Ibirapuitã é cruzado algumas vezes por estradas não pavimentadas, apenas no setor norte da APA.

Ingressos

Não há portaria e nem cobrança de ingressos. O acesso á Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã é livre e a visitação através das estradas rurais é permitida a qualquer cidadão. A entrada em propriedades particulares somente é possível com a obtenção prévia da permissão dos respectivos proprietários.

Onde ficar

Dentro da APA, em SANTANA DO LIVRAMENTO/RS:

[1] Estância da Glória. Proprietário Luiz Carlos Santanna (Toco Santanna). Tel.: (55) 9973-1663 http://www.estanciagloriaturismorural.com.br/

[2] Estância Cerros Verdes. Tel.: (55) 3242-1456 / (55) 9938-2941 / (55) 9907-8709 - http://www.cerrosverdes.com.br/

[3] Pousada Santa Tereza Casa de Campo Ibirapuitã. Proprietário: Roney Cardoso Machado. Tel.: (55) 9148-6313


Fora da APA, em ROSÁRIO DO SUL/RS:

[1] Hotel Areias Brancas - Tel.: (55) 3231-2363 - http://www.hotelareiasbrancas.com.br/


Fora da APA, em QUARAÍ/RS:

[1] Hotel Fenic - Tel.: (55) 3423-1766 / (55) 3423-5627 - Fax: (55) 3423-5642 - E-mail: hotelfenic@hotmail.com - http://www.hotelfenic.com.br/portugues/index.html


Fora da APA, em ALEGRETE/RS:

[1] Hotel Caverá - Tel.: (55) 3422-4296 - http://www.hotelcavera.com.br/ - Obs.: localizado há 1,79 km da Praça Getúlio Vargas (Centro de Alegrete/RS)

[2] Hotel Pousada Alegrete - Tel (55) 3422-6366 - http://www.hotelalegrete.com.br/ - Obs.: localizado há 2,6 km da Praça Getúlio Vargas (Centro de Alegrete/RS)

[3] Hotel Texacão do Caverá - Tel.: (55) 3422-4155 - http://www.hoteltexacao.com.br/ - Obs.: na BR 290, há 11,7 km da Praça Getúlio Vargas (Centro de Alegrete/RS)

Objetivos específicos da unidade

Conforme determinam a Lei Federal 9.985/2000 (SNUC) e o Decreto Federal nº 529/1992, a APA do Ibirapuitã possui 12 funções ou diretrizes centrais que conduzem sua gestão:

[1] Garantir a conservação de uma porção significativa do Bioma Pampa

[2] Assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais

[3] Disciplinar o processo de ocupação territorial

[4] Proteger a diversidade biológica

[5] Fomentar o Turismo Sustentável

[6] Proteger os remanescentes da mata aluvial

[7] Garantir a conservação dos recursos hídricos

[8] Fomentar a Educação Ambiental

[9] Melhorar a qualidade de vida das populações residentes através da orientação e disciplina das atividades econômicas locais

[10] Fomentar a Pesquisa Científica

[11] Preservar a Cultura e a Tradição do Gaúcho Fronteiriço

[12] Proteger as Espécies Ameaçadas de Extinção em nível regional

Histórico

Cerca de 1,53% da superfície do Estado do Rio Grande do Sul está protegida na forma de Unidades dc Conservação, incluindo as dc Uso Direto c Indireto. Este valor está abaixo da média brasileira (2,4% na forma de Uso Indireto e 16,9% Uso Direto). Entre as diferentes regiões do Estado, a região pampcana é uma das menos protegidas. A implementação da APA do Ibirapuitã é um passo fundamental para reverter esta situação.

Atrações

Cerro do Tarumã - É o ponto mais alto do município com 308 metros de altitude e também o mais alto dentro da APA. Do seu topo é possível apreciar a paisagem da APA, especialmente a mata ciliar junto a Ibirapuitã Chico. Esse local é visitado por moradores da região, especialmente de Quaraí, que o chamam simplesmente de Cerro do Januário em homenagem ao estancieiro Januário Rodrigues da Fonseca enterrado, por vontade sua, no ano de 1891 no topo do morro. Existe ainda restos do túmulo e das cercas de pedras em volta do mesmo.

Morro das Caveiras - Registro de populações indígenas constando o registro de restos mortais e artefatos utilizados pelo índios. Este dado não foi confirmado junto ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Arqueológico Nacional) assim como a qual cultura/tribo esses índios pertenciam, é um dado indicado pela Secretária Municipal de Educação e Cultura.

Lagoa do Parové - Lenda sobre o amor entre os índios Camaco e Panaim. As lágrimas do choro de Panaim pela perda de Camaco formou a lagoa com 1.100 metros de comprimento por 500 de largura.

Aspectos naturais

Segundo RAMOS, R.A. et all (2013): "Outro objetivo deste trabalho [Subprojeto 1 - Mapeamento da paisagem e uso e cobertura da terra da área de proteção ambiental do Rio Ibirapuitã, visando fornecer subsídios para o diagnóstico e monitoramento da biodiversidade] foi analisar o comportamento do regime de precipitação na bacia da APA do Rio Ibirapuitã e sua relação com a dinâmica das vazões deste curso d’água. No que se refere à relação precipitação-vazão observada no rio Ibirapuitã, o fato de se ter períodos de estiagem prolongados (seca atmosférica), eles interferem diretamente na vazão desse curso d’água. No entanto, esta seca atmosférica que também caracteriza uma seca hidrológica, não resulta numa vazão nula, situação esta que leva a propor a interferência dos reservatórios subterrâneos na alimentação desse curso d’água. Esta constatação gera a possibilidade de se aprofundar, também, os estudos que relacionam vazão do curso d’água e alimentação dos reservatórios subterrâneos."

O trabalho de mapeamento do uso e cobertura da terra realizado por RAMOS et all. (2013) resultou na categorização do território da Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã em 08 (oito) Classes distintas de Cobertura e Uso do Solo e em 04 (quatro) Unidades de Paisagem.

Classes de Cobertura e Uso do Solo da APA do Ibirapuitã:

(1) Água: 0,33% da APA ou 1.039,78 hectares

(2) ÁREAS ÚMIDAS: 0,54% ou 1.695,75 hectares

(3) CAMPOS DE SOLOS MAIS PROFUNDOS PLANOS: 53,07% ou 166.993,56 hectares

(4) CAMPOS DE SOLOS MAIS PROFUNDOS DE ENCOSTA DE COXILHA: 5,11% ou 16.087,33 hectares

(5) CAMPOS DE SOLOS RASOS EM TOPOS DE COXILHAS: 29,01% ou 91.308,22 hectares

(6) FLORESTA: 8,03% ou 25.262,44 hectares

(7) LAVOURA: 3,31% ou 10.420,20 hectares

(8) PASTAGEM: 0,6 % ou 1.888,16 hectares

Unidades de Paisagem contidas na APA do Ibirapuitã:

(1) UNIDADE DE PAISAGEM PLANÍCIE ALUVIAL COM MATA CILIAR - "esta localizada na porção norte da APA, apresenta as cotas mais baixas do relevo e sua biodiversidade fortemente esta associada a dinâmica de enchentes ao longo do ano. Nesta unidade predominam densas florestas de galeria, grandes áreas de espinilho ao longo dos rios e áreas de cultivo de arroz irrigado alternando com áreas de pousio. As estradas são precárias e apresentam muitos passos por dentro dos arroios, que muitas vezes com o aumento da profundidade não permitem a passagem".

(2) UNIDADE DE PAISAGEM ENCOSTAS DE COLINAS BAIXAS COM CAMPO - "possui a maior área dentro da APA e caracteriza-se por terrenos mais úmidos com uma vegetação de campo um pouco mais densa, predominando na paisagem o capim-caninha [Andropogon lateralis]. Os solos são menos profundos que a unidade anterior, mas mesmo assim são bastante pedregosos, dificultando qualquer tipo de agricultura. Esta unidade concentra-se no norte e centro da APA."

(3) UNIDADE DE PAISAGEM TOPOS DE COLINAS ALTAS COM CAMPOS RUPESTRES - "localizada no centro e principalmente no sul da APA. Abrange a porção superior das colinas, com solos muito rasos e com grande concentração de afloramentos rochosos. Apesar de ser uma ambiente muito hostil para biodiversidade, abriga várias espécies endêmicas e características deste tipo de ambiente, como cactáceas e répteis. O uso destas áreas é basicamente pecuária com uma baixa lotação, normalmente ovinos. Apesar da hostilidade destas áreas, a beleza cênica é impressionante, sendo indicadas para turismo rural e ecológico."

(4) UNIDADE DE PAISAGEM BORDAS DE COLINAS ALTAS COM MATA DE ENCOSTA - "localizada na borda leste da APA. Possui uma vegetação mais arbórea com uma superfície de florestas tão densas quanto os campos. Possui as maiores altitudes da região."

Veja slides da apresentação de resultados do "Subprojeto 1 - Mapeamento da paisagem e uso e cobertura da terra da área de proteção ambiental do Rio Ibirapuitã, visando fornecer subsídios para o diagnóstico e monitoramento da biodiversidade"

Relevo e clima

Clima

O clima da região é subtropical, temperado quente, com chuvas bem distribuídas e estações bem definidas (Cfa na classificação de Kõeppen). A precipitação anual varia entre 1500mm (dados de Alegrete). A menor precipitação acontece em agosto e a maior em outubro. As precipitações intensas médias para 24 horas variam de 95mm em Santa'Ana do Livramento até 115nam em Alegrete, em um gradiente espacial quase linear. A temperatura média anual é de 18,6°C, variando entre 13,1°C em julho e 24°C em janeiro. A temperatura mínima observada desde 1931 foi de -4,1°C e a máxima de 40,4°C. A umidade relativa média do ar é de cerca de 75% em todos os meses do ano.

É possível obter dados climatológicos para dois pontos localizados dentro do território da Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã: ESTAÇÃO: Quarentenário - Santana do Livramento/RS (desativado em 2014) Coordenadas: 30°50'30.76"S e 55°36'52.17"O
Dados Climáticos: Pesquisar SANTANA DO LIVRAMENTO/RS por ano (dados até dez/2013)


Estância do 28 - Alegrete/RS Coordenadas: 30° 4'37.62"S e 55°41'48.09"O
Dados pluviométricos: http://www.fundacaomaronna.org.br/maronnaweb/index.php/dados-pluviometricos

Fauna e flora

Fauna

Ariga 11 espécies de mamíferos raros ou ameaçados de extinção e 22 espécies de aves nesta mesma situação. Pelo menos uma espécie de peixe é endêmica da bacia do rio Ibirapuitã.

Flora

Até a presente data não foi realizado nenhum levantamento florístico na APA do Ibirapuitã. Os dados de que dispomos são resultantes de observações de campo pelos gestores da UC, ou ainda constituem dados secundários de pesquisas e ou levantamentos para licenciamentos ambientais. Veja neste link os dados de flora para a APA do Ibirapuitã: https://sites.google.com/site/apadoibirapuita/flora-da-apa

A realização de um levantamento florístico na APA do Ibirapuitã mostra-se ainda mais relevante e urgente quando analisamos a seguinte informação: “Segundo a lista das espécies da flora ameaçada de extinção do RS, 213 táxons pertencentes a 23 famílias de campos secos e úmidos estão ameaçados. Destes, 85 táxons ocorrem no bioma Mata Atlântica e 146 no Bioma Pampa, sendo 28 táxons comuns aos dois biomas.” (BOLDRINI et al, 2010).

Problemas e ameaças

Invasão Biológica por Javali (Sus scrofa) e seus Híbridos - a captura e o abate de javalis e seus híbridos passou a ser regrada pelo IBAMA somente em 2013. A APA implantou o PROGRAMA DE CONTROLE DE ESPÉCIE EXÓTICA INVASORA - JAVALI, através do qual incentiva e acompanha a captura e abate legalizados visando o controle populacional desta espécie invasora. Durante o ano de 2014 foram emitidos pelos gestores da APA 15 (quinze) Autorizações Diretas ICMBio para Controladores de Javali e foram instaladas 02 (duas) jaulas-curral. Os controladores autorizados informaram o abate de 127 javalis dentro da UC, representando um impacto de 5.307 javalis a menos na população desta espécie projetada para 2015.

Descarte Inadequado de Resíduos Tóxicos e de Contaminantes Biológicos - a Logística Reversa para este tipo de resíduos e, em especial, para resíduos de uso veterinário, ainda não foi implantada na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Estes materiais tem sido descartados inadequadamente pelos produtores rurais de dentro da APA (são queimados, ou enterrados, ou atirados sobre o solo ao largo de estradas ou dentro das propriedades rurais).

Descarte Inadequado de Resíduos de Uso Doméstico - não há coleta de lixo na zona rural dos municípios que abrigam a APA do Ibirapuitã. Estes materiais tem sido descartados inadequadamente pelos produtores rurais de dentro da APA (são queimados, ou enterrados, ou atirados sobre o solo ao largo de estradas ou dentro das propriedades rurais).

Caça - a caça esportiva passou a ser proibida no Rio Grande do Sul em 2005. Grande parte das ocorrências de crimes ambientais relacionados à caça estão relacionados á caça profissional para abastecimento de comércio ilegal em pequenos empreendimentos localizados na zona urbana destas cidades (bares, botecos, etc).

Pesca Predatória - o uso de redes de pesca (de malhas permitidas e de malhas predatórias) e de espinhéis por pescadores amadores representa grande parte das ocorrências de crimes ambientais relacionados à pesca registrados na APA do Ibirapuitã. A pesca predatória durante o período de Defeso da Piracema e a pesca de espécies proibidas (ameaçadas de extinção no RS, como é o caso do Dourado (Salminus brasilienses) ), também são práticas que ocorrem no território da APA devido a sua grande extensão de terras, a sua grande quantidade de estradas e corredores que permitem diversas rotas alternativas e ao baixo efetivo dos órgãos de fiscalização ambiental (ICMBio, 3º Pelotão Ambiental/BM, IBAMA).

Fontes

ICMBio/MMA. Escritório da Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã.

RAMOS, R. A. et all. "Subprojeto 1 - Mapeamento da paisagem e uso e cobertura da terra da área de proteção ambiental do Rio Ibirapuitã, visando fornecer subsídios para o diagnóstico e monitoramento da biodiversidade". In: "AVALIAÇÃO DA PAISAGEM, COMPOSIÇÃO, ESTRUTURA E DINÂMICA DE COMUNIDADES TERRESTRES E AQUÁTICAS NA APA DO IBIRAPUITÃ - BIOMA PAMPA: POTENCIALIDADES, CONFLITOS DE USO E SUSTENTABILIDADE". Sítio 25 - Campos Sulinos. EDITAL MCT/CNPQ NO 59/2009 - PROGRAMA DE PESQUISAS ECOLÓGICAS DE LONGA DURAÇÃO (PELD). 2010-2013. Execução: Fundação Zoobotânica/SEMA/RS.