Floresta Nacional Altamira




Floresta Nacional Altamira
Esfera Administrativa: Federal
Estado: Para
Município: Altamira, Itaituba, Trairão
Categoria: Floresta
Bioma: Amazônia
Área: 671133,2
Diploma legal de criação: Decreto nº 2483, de 02/02/1998
Coordenação regional / Vinculação: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Contatos: Endereço: Av. Tapajós, 2267, Santarém/PA - Laguinho - Santarém/PA - CEP: 68.040-000

E-mail: flonaaltamira.pa@ibama.gov.br
Telefone: (93) 3523-2964 e (93) 3523-5185

Índice

Localização

Como chegar

A Floresta Nacional de Altamira está localizada a aproximadamente 1.947 km da capital do Estado do Pará, Belém. A principal via de acesso para a Flona, na forma terrestre, é através da sua face sul, no polo madeireiro do Distrito de Moraes Almeida, no município de Itaituba, nas adjacências da BR-163 e na forma fluvial por seu lado leste. No lado norte não há até o momento formas de acesso à Flona. Em análise das imagens de satélite e sobrevoo, estima-se a existência de 392 Km de estradas e três pistas de pouso clandestinas no interior da Flona, todas destinadas a atividades ilegais de extração de madeiras e minério.

Ingressos

Onde ficar

Objetivos específicos da unidade

Uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas.

Histórico

A Flona recebeu seu nome em alusão ao Município de Altamira que contém a maior parte do território da UC. Criado em 06 de novembro de 1911 o município recebeu seu nome em razão da posição previlegiada de avistamento de um trecho do rio Xingu, a partir de sua sede administrativa.

No ano de 1997, foi proposta a criação de sete Florestas Nacionais nos Estados do Amazonas e Pará. Elas estariam localizadas em áreas arrecadadas para a União pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), totalizando uma área de 2.660.212 ha.

Ao final do processo, no dia 02 de fevereiro de 1998 foram criadas a Floresta Nacional de Altamira no Pará, com área de 689.012,00 ha, bem como as Florestas de Humaitá – AM, Carajás, Itaituba I, Itaituba II, Xingu e Itacaiunas no Pará.

Entre os objetivos expostos para a criação dessas UCs, estava incluído o ordenamento do acesso aos recursos florestais de forma sustentável e ambientalmente equilibrada e a regulação do estoque madeireiro evitando a latifundiarização e agressões ambientais ao patrimônio nacional.

Outro pressuposto da criação dessas Flonas foi a preocupação com a estrutura fundiária da região. O censo agropecuário do IBGE realizado na região entre 1975 e 80 demonstrava um possível alto índice de “grilagem” de terras (apossamento ilegítimo). Assim como no cadastro do INCRA “duas centenas de pessoas” diziam ter terras maiores que três mil hectares.

Em função das possíveis irregularidades na ocupação de terras na região, foi instaurado uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Câmara dos Deputados visando apurar os fatos. Esta CPI solicitou cópia do processo de arrecadação das terras pelo INCRA ao Ministério do Meio Ambiente e ao próprio INCRA.

Além disso, a criação da Floresta Nacional de Altamira foi recomendada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) por servir como um cinturão de proteção às Terras Indígenas Xipaya e Curuaya, evitando pressão sobre elas.

Atrações

Aspectos naturais

Geologia

Na área da FNA há um amplo predomínio de rochas formadas no Período Orosiriano da Era Paleoproterozóica. Este período foi marcado pelos processos orogenéticos que culminaram com a aglutinação (colisão e consequente orogênese ou formação de cadeia de montanhas) entre a borda sudoeste da Província (paleoplaca) Amazônia Central e a borda nordeste da Província (paleoplaca) Tapajós-Parima. Este processo provocou o desenvolvimento de uma ampla faixa móvel caracterizada por zonas e cinturões de cisalhamento, falhas e fraturas com direções diversas, mas preferencialmente NW-SE, concordante, com o cinturão orogênico e que serviram de condutos para o magmatismo formador das unidades geológicas orosirianas.

Sobre os bens minerais passíveis de formar jazimentos na Flona é possível dar destaque para a cassiterita com amplas possibilidades de acumulação em porcões albitizadas ou greisenizadas dos granitos da Suíte Intrusiva Maloquinha e do ouro presente em veios de quartzo relacionados a zonas de cisalhamento estaterianas, calimianas ou mais novas, sobre essas unidades. Exceção somente para a Formação Aruri, que exibe poucas chances de apresentar algum jazimento de minerais metálicos.

As unidades geológicas presentes na FNA, em função de características como idade, composição, litologia, estratigrafia, características genéticas, natureza, contexto tectônico, entre outras, foram avaliadas quanto à potencialidade de apresentarem concentrações minerais de valor econômico enquadráveis nas seguintes classes de uso: Gemas, Material de Emprego na Construção Civil, Rochas e Minerais Industriais, Recursos Minerais Energéticos, Rochas e Minerais Ornamentais, Metais Nobres e Insumos para Uso Agrícola. Na classe de uso de Insumos para Uso Agrícola não apresentou potencialidade para a exploração.

Hidrografia

A FNA localiza-se na região do divisor de águas de duas grandes sub-bacias hidrográficas integradas à bacia do Amazonas que são a do rio Xingu, a leste, e a do rio Tapajós, a oeste. Na Flona as sub-bacias que drenam para o Xingu são as dos rios Pimental, Curuá, Limão e Riozinho do Anfrísio e as que drenam para o Tapajós são as dos rios Arraias e do Aruri.

Sua hidrografia, no entanto, é definida no Nível 4 da classificação de Ottobacias de Pfafstetter uma vez que drenam para as sub-bacias de nível 3 representadas pela do rio Curuá afluente do rio Xingu (nível 2), a leste, e pela do rio Jamanxim afluente do Tapajós (também nível 2), a oeste. As que drenam para o Jamanxim estão representadas pelas bacias dos rios Aruri Grande e Riozinho das Arraias, enquanto que as do Curuá são as bacias do rio Riozinho do Anfrísio, do igarapé do Limão, do igarapé Pimental e uma pequena bacia sem denominação aqui referida genericamente como igarapé Curuá, e representada por um pequeno afluente desse rio.

Estas bacias, no entanto, abrangem uma área que extrapola, em muito, aquela da FNA uma vez que, no total, ocupam 2.287.558 ha e, consequentemente, os 689.012 ha da FNA correspondem a apenas 30,11 % da área ocupada pelas bacias.

Relevo e clima

Relevo

Nos domínios da FNA as formas de relevo arranjam-se segundo 3 unidades geomorfológicas que, por sua vez, pertencem a dois domínios morfoestruturais que são o Cráton Amazônico e os Depósitos Sedimentares Quaternários, correspondentes, respectivamente, às terras firmes e às várzea.

No Domínio do Cráton Amazônico as unidades geomorfológicas identificadas são a Depressão do Jamanxim-Xingu, com uma variação altimétrica entre 180 e 200 metros e tendo como formas de relevo predominantes as colinas, e os Planaltos Residuais do Sul do Pará, com uma variação altimétrica entre 200 e 250 metros e tendo como formas de relevo predominantes morros e cristas.

Os Depósitos Sedimentares Quaternários são relevos elaborados em aluviões e depósitos elúvio-coluviais quaternários que estão presentes nos vales e planícies de inundação dos rios que drenam a área, em correspondência a unidade geológica Aluviões Holocênicos. Na área da FNA integram a unidade geomorfológica Planície Amazônica e evoluem por processos de erosão, transporte e deposição dos sistemas fluviais, sob a forma de depósitos de barras longitudinais, de canal fluvial, de transbordamento e de diques aluviais.

Do total da área da FNA 99,46 % correspondem a relevos desenvolvidos no domínio morfoestrutural do Cráton Amazônico, sendo 67,57 % agrupados na unidade Depressão do Jamanxim-Xingu e 31,84 % nos Planaltos Residuais do Sul do Pará. Os Depósitos Sedimentares Quaternários da Planície Amazônica ocupam 0.54 % da área da Flona, sendo que, destes, 0.02%, ou 2.95% do total da planície, são inundadas anualmente, e 0.52% da Flona, ou 97.06% da planície também englobam terraços sujeitos apenas a cheias ocasionais.

Considerando-se que é nos domínios da Depressão do Jamanxim-Xingu onde se situam os relevos mais favoráveis à ocupação, na área da FNA pertencente ao Município de Altamira, é onde se encontram as melhores glebas para a implantação das atividades do manejo florestal, com vistas à utilização sustentável dos recursos naturais desta Unidade de Conservação.

Clima

A Flona está localizada na região que corresponde às florestas tropicais amazônicas com chuvas do tipo monção, possuindo uma estação seca de pequena duração, com chuvas inferiores a 60 mm no mês seco.

As médias de temperaturas anuais máximas ficam entre 31º C e 33º C e as mínimas entre 24º e 25º C. A precipitação anual varia entre 1.800 mm e 2.800 mm, com uma nítida divisão na distribuição das chuvas, sendo um período com chuvas abundantes (janeiro a julho) e outro com baixa precipitação (agosto a dezembro). Por sua vez, a umidade relativa do ar varia entre 80 a 90%.

Fauna e flora

Fauna

A ictiofauna dos igarapés amostrados na FNA e entorno pode ser caracterizada como rica em espécies. Foram coletados 4.243 exemplares de 90 espécies de peixes, pertencentes a 23 famílias e seis ordens. Characiformes contribuíram com mais da metade da riqueza (51 espécies), seguido de Siluriformes (25 espécies), representando, juntos, cerca de 84% da ictiofauna. Este resultado é fortemente influenciado pelo grande número de espécies da família Characidae, estando de acordo com o padrão geral de representatividade de ordens em comunidades de peixes dulcícolas neotropicais.

Algumas espécies são consideradas endêmicas da bacia do Jamanxim/Tapajós (Harttia dissidens, Hopliancistrus tricornis) e do Curuá/Iriri/Xingu (Aspidoras cf. poecilus e Microschemobrycon aff. elongatus), e merecem atenção especial.

Foram registradas 97 espécies da herpetofauna, sendo 42 espécies de anfíbios anuros, 21 de lagartos, 27 de serpentes, cinco de quelônios, duas de jacarés e um anfisbenídeo. Entre as espécies de quelônios, foram registradas duas terrestres, jabuti-amarelo (Chelonoidis denticulata) e jabuti-vermelho (C. carbonaria), uma semi-aquática a aperema (Rhinoclemmys punctularia) e duas espécies aquáticas a tracajá (Podocnemis unifilis) e Phrynops sp. Entre crocodilianos, foram detectadas as espécies jacaré-tinga (Caiman crocodilus) e jacaré-corôa (Paleosuchus trigonatus), ambas aquáticas. O tracajá (Podocnemis unifilis) e o jabuti amarelo (Chelonoidis denticulata) são considerados vulneráveis segundo a lista da IUCN.

Foram registradas 347 espécies de aves, pertencentes a 51 famílias. Algumas das aves encontradas na FNA são a azulona (Tinamus tao), jacupiranga (Penelope pileata) e a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), esta considerada ameaçada de extinção tanto pelo IBAMA quanto pela IUCN.

Foram registradas 42 espécies de mamíferos silvestres. Estes números representam 25% das espécies de mamíferos esperadas para o Pará. O registro de 14 das 18 espécies de carnívoros esperadas para o Pará é relevante, uma vez que carnívoros são considerados essenciais para a manutenção da estabilidade do ecossistema.

Flora

Os tipos vegetacionais predominantes na FNA são: Floresta Ombrófila Aberta (submontana) com Cipós e Floresta Ombrófila Densa (submontana) de Dossel Emergente. Ocorrem ainda (em menor representatividade de área) as Florestas Aluviais (várzea/igapó/galeria) e vegetação secundária (capoeiras).

Foram catalogadas 676 espécies em 91 famílias botânicas. A flora é bastante similar tanto entre as regiões (norte e sul da FNA) como entre as duas tipologias vegetais que dominam a região, referente às florestas ombrófilas densas e florestas ombrófilas abertas com cipós, embora com algumas ocorrências isoladas.

Estas florestas abrigam espécies nobres da flora amazônica de alto valor madeireiro, como jatobá (Hymenaea courbaril), cedro (Cedrela odorata), maçaranduba (Manilkara huberi), cumarú (Dipteryx odorata), angelim (Dinizia excelsa), ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa), aquariquara (Minquartia guianensis), copaíba (Copaifera reticulata), além de muitas outras.

Um grupo especial de espécies encontra-se ameaçado de extinção no Pará, e sete dessas são encontradas na FNA: castanheira (Bertholletia excelsa), araracanga (Aspidosperma desmanthum), itaúba (Mezilaurus itauba), cedro (Cedrela odorata), maçaranduba (Manilkara huberi), ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa) e cipó-titica (Heteropsis flexuosa).

Problemas e ameaças

Atividades ilegais de mineração (garimpo) Atividades de caça no interior e entorno imediato da FNA (baixo impacto); Extrativismo ilegal de produtos madeireiros e não madeireiro (alto impacto); Desenvolvimento de atividades agropastoris (alto impacto); Abertura de estradas (alto impacto).

Fontes

http://sistemas.mma.gov.br/cnuc/index.php?ido=relatorioparametrizado.exibeRelatorio&relatorioPadrao=true&idUc=83

http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-planos-de-manejo/pm_flona_altamira_diagnostico.pdf