RPPN Mitra do Bispo



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RPPN Mitra do Bispo
Esfera Administrativa: Federal
Estado: Minas Gerais
Município: Bocaina de Minas
Categoria: Reserva Particular do Patrimônio Natural
Bioma: Mata Atlântica
Área: 35 hectares
Diploma legal de criação: Portaria 97\99-N de 25 de novembro de 1999
Coordenação regional / Vinculação: ICMBio, CR 11 (Lagoa Santa, MG)
Contatos: Representante: Nemo Gomes Simas

Rua Dr. Viotti 164 / ap. 807 – Centro – Caxambu – M.G. Cep.: 37.440-000

Telefone: (35) 8826 1170

Email: nemosimas@gmail.com

rppnmitradobispo@gmail.com

Índice

Localização

A RPPN Mitra do Bispo está localizada em Minas Gerais, no município de Bocaina de Minas. Constitui o ponto culminante (2149 m de altitude) da Serra da Aparecida, marcando a divisa dos municípios de Bocaina de Minas, Alagoa e Aiuruoca. Situada também no centro do triângulo Rio – São Paulo – Belo Horizonte.

A RPPN está localizada na propriedade Fazenda Pousada nas Nuvens.


Coordenadas: latitude -22°09'16,08" S e longitude -44°33'19,75" O.

Como chegar

Localização Mitra do Bispo. Fonte: Plano de Manejo RPPN Mitra do Bispo.

Os acessos à reserva podem se dar a partir do município mineiro de Alagoa, que é acessado pela estrada Itamonte - Aiuruoca. O trecho Itamonte - Alagoa está atualmente em processo de pavimentação. Deve-se pegar a estrada que liga Alagoa à localidade de Santo Antônio do Rio Grande, no município de Bocaina de Minas. Após cerca de 15 km de estrada de terra, incluindo trechos bastante declivosos, deve se entrar na bifurcação à esquerda. Para subir a Serra Verde e chegar à RPPN, segue-se pela estrada do Paiol por cerca de 7 km abrangendo trecho extremamente íngreme e pedregoso. Neste ponto, deixa-se a estrada principal, entrando à direita. Segue-se por cerca de 5 km por estrada ainda mais precária até a RPPN. O tempo médio de Santo Antonio do Rio Grande até a RPPN é de pouco mais de uma hora em dias secos, não sendo recomendável trafegar em dias chuvosos.

O acesso para quem vem da cidade do Rio de Janeiro ou de São Paulo se dá pela Via Dutra , dobrando-se no trevo de Resende em direção a Pedra Selada (estrada asfaltada) e daí a Bocaina de Minas (estrada de terra).

Ingressos

Com o objetivo de manter a área protegida, a visitação se restringe a pesquisadores e pequenos grupos de estudantes.

Onde ficar

Possui alojamento para os estudantes e pesquisadores.

Objetivos específicos da unidade

• Promover a manutenção da diversidade biológica e genética da RPPN MB para as atuais e futuras gerações;

• Proteger espécies endêmicas, raras, vulneráveis ou ameaçadas de extinção ;

• Preservar a diversidade biológica de remanescentes primários de Floresta Ombrófila Densa Montana e Altimontana, e do Complexo Rupestre de Altitude;

• Proteger paisagens naturais de notável beleza cênica;

• Proteger a microbacia do Córrego da Mitra assim como todos os recursos hídricos e edáficos da RPPN MB;

• Propiciar a conectividade da RPPN MB com outras UCs;

• Valorizar o modelo RPPN como instrumento de preservação;

• Incentivar a adoção de práticas conservacionistas de manejo nas áreas do entorno da RPPN;

• Aprofundar os conhecimentos sobre a biodiversidade e os geoambientes da RPPN MB estimulando a pesquisa, o monitoramento e a educação ambiental;

• Divulgar os trabalhos realizados e difundir conhecimentos adquiridos;

• Implantar a metodologia “Fazenda Produtora de Imagens”;

• Alcançar a sustentabilidade econômica da RPPN MB e viabilizar o ambientalismo familiar.

Histórico

A região da Serra Verde (Serra da Aparecida) teve no extrativismo florestal sua única economia durante décadas. Esta atividade predatória vinha devastando a rica biodiversidade de uma das mais importantes áreas de conectividade entre os preciosos ecossistemas do Parque Nacional de Itatiaia e do Parque Estadual da Serra do Papagaio. Em meio a diversas providências que visavam coibir as atividades das serrarias, e para impedir a então iminente devastação deste precioso remanescente florestal foi adquirida em 1980, da Madeireira Santo Antônio, a área onde hoje se localiza a Fazenda Pousada nas Nuvens. Desde então, as matas da propriedade vem sendo integralmente preservadas. A sede desta reserva florestal foi construída em um local tradicionalmente utilizado para agricultura de subsistência, onde já havia uma antiga ocupação. A partir daí, diversas ações foram executadas visando a proteção da propriedade. A vigilância contra a caça, o combate a incêndios florestais, o aumento do conhecimento do ecossistema através de pesquisas científicas e o incentivo à criação de novas áreas dedicadas à preservação integral. Em novembro de 1999, efetivando a proposta de perpetuação desta importante reserva florestal, foi homologada a RPPN Mitra do Bispo. Ao longo desses dez anos a RPPN vem buscando mecanismos para sua efetiva implantação. A elaboração desse Plano de Manejo vem consolidar a vocação dessa UC na preservação do meio ambiente.

Atrações

A área da RPPN apresenta grande beleza e elevada biodiversidade recebendo grupo de estudantes e ambientalista para realização de trilhas e observação de aves e outros animais. Sendo as trilhas a principal atração.

TRILHA DA MITRA - Partindo da sede, são aproximadamente uma hora e meia de caminhada. Durante todo esse percurso o visitante é envolvido por uma vegetação rica em bromeliáceas e orquidáceas. Adiante, são mais 30 minutos de caminhada sobre a rocha, onde há um aumento do grau de dificuldade. Chegando ao cume, tem-se uma visão panorâmica onde se destacam o Parque Nacional de Itatiaia, o Parque Estadual da Serra do Papagaio e a Pedra Selada, em Visconde de Mauá. Esta trilha apresenta um grau de dificuldade médio a alto e, embora contemple as mais lindas paisagens da região, não é recomendada para crianças menores que sete anos e pessoas idosas ou com problemas cardíacos. Por dar acesso ao ponto mais alto da reserva, recomenda-se a utilização desta trilha como rota de patrulhamento para prevenção e combate aos incêndios florestais.

Vista do topo da Mitra do Bispo. Fonte: Flickr Cláudia Tavares, Rppn Mitra do Bispo - MG

TRILHA DA CACHOEIRINHA - Deve se partir da sede em direção ao interior da floresta até atingir o Córrego da Mitra. Esta trilha possui cerca de 650 metros de extensão, constituindo um bom percurso para se conhecer o ambiente de floresta. O tempo total para percorrer a trilha foi estimado em 30 minutos com grau baixo de dificuldade.

TRILHA DO OLHO D'ÁGUA - A 300 metros da sede, próximo ao córrego. O tempo de percurso desta trilha foi estimado em quinze minutos com baixo grau de dificuldade.

TRILHA DO DOSSEL - A construção das plataformas de observação e da rede de arborismo oferece o acesso ao dossel e possibilita observar com segurança o mais diversificado ecossistema vegetal.

Além de trilhas é possível aproveitar os banhos de cachoeira, e observar as montanhas, mata, maciço rochoso.

Aspectos naturais

A Mitra do Bispo é um maciço rochoso que se destaca em meio a um extenso remanescente florestal. Segundo relatos de moradores, o nome foi dado por jesuítas que ocuparam a região no passado e que viam uma semelhança desta rocha com o chapéu que os bispos usam – a Mitra.

Relevo e clima

RELEVO

A Serra Verde, assim como todo o conjunto que forma a Mitra do Bispo, é constituída por rochas cristalinas (gnaisses e migmatitos) dobradas e falhadas da faixa móvel Atlântica. A RPPN Mitra do Bispo apresenta altitude variando de 1700 m na sua porção mais baixa, chegando a mais de 2000 m na base da Mitra do Bispo. O relevo é montanhoso a escarpado, predominando declividades acima de 45 %. Os solos são em geral rasos, pouco desenvolvidos, e com alta susceptibilidade natural a processos erosivos.

O município de Bocaina de Minas integra a Bacia Hidrográfica do Rio Grande e a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. A RPPN Mitra do Bispo abriga algumas das nascentes mais elevadas da Mantiqueira mineira. A RPPN está inserida no domínio da Mata Atlântica, abrigando remanescentes primários de Floresta Ombrófila Densa Montana e Altimontana.


CLIMA

Predomina na região o clima subtropical de altitude com duas estações definidas, sendo comum o registro de temperaturas abaixo de zero no inverno e a ocorrência freqüente de geadas. A temperatura média anual é em torno de 18°C, tendo no mês mais quente e no mês mais frio temperaturas médias de 25,6°C e 13,1°C, respectivamente. A elevada precipitação anual, chegando a mais de 2000 mm por ano é outra característica marcante nesses altos de serra. A própria origem do nome Mantiqueira está relacionada à forma indígena primitiva “Amantiquira” ou “pouso de chuvas”, em função da abundância de chuvas.

Fauna e flora

FAUNA

O estudo da fauna foi voltado para mamíferos e aves sendo alguns animais como grandes primatas monocarvoeiro (Brachyteles arachnoides), o bugiu (Alouatta fusca), a Gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) que eram freqüentes na região, porém com a destruição do habitat os indivíduos destas espécies desapareceram e hoje quase não são mais avistados pelos moradores. Mamíferos ameaçados avistados: Bugiu Mono-Carvoeiro, Sauá, Lobo-Guará, Onça Parda, Gato do Mato, Veado Campeiro, Quati, Paca, Porco do Mato, Jaguatirica, Irara. Quanto a avifauna foram identificadas 48 espécies na RPPN sendo algumas delas endêmicas e/ou ameaçadas, como Jacuaçu, Pomba-amargosa, Tiriba-de-testa-vermelha, Cuiu-cuiu,Tucano-de-bico-verde entre outras.

FLORA

A RPPN está inserida no domínio da Mata Atlântica, abrigando remanescentes primários de Floresta Ombrófila Densa Montana e Altimontana. Predominam espécies arbóreas pertencentes às famílias Lauraceae, com ocorrência de diferentes tipos de canela (Nectandra sp., Ocotea sp.), e Meliaceae, como por exemplo a canjerana (Cabralea canjerana). O sub-bosque é composto por diversas espécies de Rubiaceae, Myrtaceae e Melastomataceae. Epífitas das famílias Bromeliaceae e Orquidaceae são muito comuns.

Na formação altomontana, destaca-se a dominância de candeia (Eremanthus eritropappa). A superfície do solo é recoberta por líquens e bromélias, com pteridófitas compondo denso estrato arbustivo.

Problemas e ameaças

O fogo é uma grave ameaça que ainda requer constante vigilância na região da Serra Verde. Os maiores riscos de fogo hoje são nos campos de altitude que circundam a Mitra, próximo à rocha. A vegetação rasteira, a exposição a ventos fortes e a queimada ilegal de pastagens próximas fazem deste ambiente uma área de risco à ocorrência de incêndios florestais.


As queimadas, a caça e o desmatamento são um dos principais motivos apontados pelos moradores como responsáveis pelo desaparecimento de animais na região, sendo que este ultimo implica na interrupção dos corredores migratórios da fauna e fragmentação de habitat. No caso de aves a captura para comercialização também seria um problema.

Fontes

Fazenda Pousada Nas Nuvens , 1999. Plano de Manejo RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Mitra do Bispo, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, 94p. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-planos-de-manejo/rppn_mitra_do_bispo_pm.pdf. Acessado em: 21 de maio de 2016.

Ficha Resumo de Unidade de Conservação/Área Protegida, disponível em: http://www.rbma.org.br/programas/ docs_programas/mosaicos_corredores_ecologicos/01_08_35.pdf. Acessado em: 23 de maio de 2016

RPPN Mitra do Bispo - MG, disponível em: https://www.flickr.com/photos/bemsimples/2409682131/in/photostream/ Acessado em: 23 de maio de 2016

Memorial Descritivo da RPPN: RPPN Mitra do Bispo, disponível em: http://sistemas.icmbio.gov.br/ simrppn/requerimento/impressao/535/memorppn/. Acessado em: 23 de maio de 2016