Reserva Biológica das Perobas



Reserva Biológica das Perobas
Esfera Administrativa: Federal
Estado: Parana
Município: Tuneiras do Oeste e Cianorte
Categoria: Reserva Biológica
Bioma: Mata Atlântica
Área: 8.716 hectares.
Diploma legal de criação: Decreto de 20 de março de 2006.
Coordenação regional / Vinculação: Unidade de Conservação da Natureza vinculada à Coordenação Regional 9 (Florianópolis/SC) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Contatos: Telefone: (44) 3653-1048

E-mail: rebioperobas@icmbio.gov.br

Índice

Localização

A Reserva Biológica localiza-se na região noroeste do Paraná, municípios de Cianorte e Tuneiras do Oeste, no quadrilátero determinado pelos pontos de coordenadas geográficas 23º 47’S / 52º42’O e 23º 55’S / 52º51’O. A sede da Reserva está localizada na Av. Rio de Janeiro, 308, em Tuneiras do Oeste/PR.

Como chegar

O acesso à Unidade pode ser feito pela rodovia PR-323, entre Cianorte e Umuarama. Do trevo com a rodovia PR-479, no município de Tapejara, segue-se por aproximadamente 15 Km até Tuneiras do Oeste. De Tuneiras do Oeste, segue-se pela BR-487, conhecida como Estrada Boiadeira, em trecho não pavimentado por aproximadamente 10 Km até a entrada da Unidade.

Ingressos

A Reserva Biológica das Perobas ainda permanece fechada à visitação, sendo permitida apenas a entrada de pessoal em serviço e pesquisadores autorizados.

Onde ficar

Cianorte e Umuarama possuem rede hoteleira e de serviços.

Objetivos específicos da unidade

- Preservar o maior remanescente de Floresta Estacional Semidecidual das regiões norte e noroeste do Estado do Paraná. - Favorecer a melhoria da qualidade de vida da comunidade do entorno da Unidade, por meio de serviços ambientais. - Restaurar o equilíbrio ambiental da Reserva, por meio da remoção de espécimes exóticos e/ou invasores, como por exemplo capim-colonião, braquiária e mamona. - Reduzir os efeitos do isolamento da Reserva, que está cercada por atividades agropecuárias. - Preservar as nascentes das microbacias dos rios Mouro e dos Índios inseridas na Reserva. - Promover a restauração da qualidade ambiental dos cursos d'água que vertem para a Reserva. - Proteger o remanescente de pinheiro-do-Paraná Araucaria angustifolia localizado no interior da Unidade. - Proteger as espécies de plantas ameaçadas de extinção com ocorrência identificada na Reserva, principalmente peroba-rosa Aspidosperma polyneuron, palmito-jussara Euterpe edulis, cedro Cedrela fissilis, rabo-de-rato Lepismium cruciforme, cacto-macarrão Rhipsalis cereuscula, samambaiaçu Cyathea atrovirens, pau-marfim Balfourodendron riedelianum e orquídeas Baptistonia lietzei e Rodriguezia decora. - Proteger as espécies de animais ameaçadas de extinção com ocorrência identificada na Reserva, principalmente onça-parda Puma concolor, jaguatirica Leopardus pardalis, cateto Pecari tajacu, queixada Tayassu pecari, paca Cuniculus paca, anta Tapirus terrestris, gavião-pato Spizaetus melanoleucus, morcego Myotis ruber, tapiti Sylvilagus brasiliensis, araçari-de-bico-branco Pteroglossus aracari, jaó Crypturellus undulatus e macuco Tinamus solitarius. Proteger as espécies de peixes novas para a Ciência encontradas na Reserva dos gêneros Ancistrus, Trichomycterus, Hisonotus e Hoplias. Promover Educação Ambiental capaz de provocar reflexão e mudança do comportamento das comunidades do entorno em relação ao meio ambiente local. Possibilitar a pesquisa científica que ajude a conservação e a preservação ambiental da região como um todo.

Histórico

A Reserva Biológica das Perobas recebeu este nome pela grande abundância, em seu território, da árvore homônima, a peroba. Esta Unidade de Conservação foi criada dentro de um conjunto decretado em 2006 pelo Governo Federal nos estados do Paraná e de Santa Catarina, com o objetivo de aumentar a proteção sobre os remanescentes de Floresta Ombrófila Mista, também conhecida como floresta com araucária ou pinheiro-do-Paraná, uma fitofisionomia da Mata Atlântica cuja área atual com características da floresta primitiva restringe-se a menos de 1% da original. O processo de criação foi iniciado em 20 de dezembro de 2002, quando foram editadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) as portarias 507 e 508, apontando áreas prioritárias para fins de realização de estudos para criação de novas Unidades de Conservação na área de domínio da Floresta Ombrófila Mista nos Estados de Santa Catarina e do Paraná. No dia 25 de março 2003 foi formado o Grupo de Trabalho (GT) Araucárias-Sul, para realização dos estudos e pesquisa na criação de UCs. De março a junho de 2003, os integrantes do GT apontaram um conjunto de ações como prioritárias para a conservação da floresta com araucárias, dentre as quais estava a necessidade de criação de unidades de conservação federais de proteção integral. Em 17 de outubro de 2003 o Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio da Secretaria de Biodiversidade e Florestas, e o IBAMA, por meio da Diretoria de Ecossistemas, instituíram uma força tarefa de técnicos para realizar os estudos de campo nas áreas indicadas pelas portarias. No dia 23 de abril de 2004 aconteceu a reunião do GT Araucárias-Sul em Curitiba/PR, com a participação da então Ministra do Meio Ambiente, Sra. Marina Silva; do então Secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Sr. João Paulo Capobianco; do então Secretário de Meio Ambiente do Paraná, Sr. Luiz Eduardo Cheida; dos Superintendentes do IBAMA em Santa Catarina e Paraná; do Presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP); e de representantes da Rede de ONGs da Mata Atlântica, de universidades e de diversas outras instituições, quando foram apresentadas, pela equipe da força tarefa das araucárias, os resultados preliminares dos estudos para a criação e Unidades de Conservação na Floresta Ombrófila Mista nos estados do Paraná e de Santa Catarina. A despeito de não ser obrigatória, conforme texto da Lei 9.985/2000, foi realizada consulta pública para a criação da Reserva Biológica das Perobas em 20 de abril de 2005, às 15h00, no salão paroquial de Tuneiras do Oeste/PR. Ao mesmo tempo em que houve manifestação de apoio de diversas instituições à criação da unidade, incluindo o Governo do Estado do Paraná e a organização Conservação Internacional, após a realização da consulta pública houve manifestações de setores contrários à criação da mesma, notadamente os Sindicatos Rurais, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e os proprietários rurais do entorno e do interior da área proposta para decretação. Finalmente, no dia 20 de março de 2006, foi assinado um decreto sem número pelo Presidente da República, criando a Reserva Biológica das Perobas em Cianorte e Tuneiras do Oeste, com 8.716 hectares. O Decreto entrou em vigor no dia seguinte, com a publicação no Diário Oficial da União.

Atrações

A Reserva Biológica das Perobas abriga exemplares de perobas com mais de 30 metros de altura. Em suas trilhas também é possível observar algumas das mais de 120 espécies de aves já identificadas, como araçaris, surucuás, urubus-reis, juruvas e jacupembas. Também podem ser avistados queixadas, catetos, veados-mateiros e antas.

Aspectos naturais

A Reserva Biológica das Perobas está inserida nos domínios do bioma Mata Atlântica, que ao lado do Cerrado é considerado um dos dois hotspots de biodiversidade no Brasil, devido à associação de elevada diversidade biológica e alto grau de ameaça. Esta unidade de conservação também foi inserida como zona núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RMBA) em 2008. A Reserva Biológica das Perobas é a maior área de floresta remanescente das regiões norte e noroeste do Estado do Paraná. Está presente em área de transição entre as fitofisionomias Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Mista. A reserva é uma importante unidade do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), sendo representativa de ambientes florestais da Mata Atlântica, bioma no qual estão apenas 4,3% do território que é protegido por Reservas Biológicas Federais.

Relevo e clima

A Reserva Biológica das Perobas apresenta clima do tipo Cfa (classificação de Köppen), subtropical úmido mesotérmico, sem estação seca definida, apesar da tendência de concentração das precipitações no verão. A Reserva está localizada sobre duas formações geológicas – a Caiuá e a Serra Geral. A Formação Serra Geral é presente nos vales do rio Mouro e do córrego Concórdia. O restante do território está assentado sobre a Formação Caiuá. A Reserva se insere na sub-unidade morfoescultural denominada Planalto de Umuarama, situada no Terceiro Planalto Paranaense, que apresenta dissecação média e ocupa uma área de 11.592,61 km². Em relação ao relevo a Rebio das Perobas apresenta um gradiente de 180 metros com altitudes variando entre 410 (mínima, no rio Mouro) e 590 (máxima, na área ocupada por agricultura) m.s.n.m. As formas predominantes são topos alongados e aplainados, vertentes convexas e vales em “V”, modeladas em rochas da Formação Caiuá.

Fauna e flora

A formação vegetal encontrada na Reserva Biológica das Perobas apresenta tipicamente os elementos de Floresta Estacional Semidecidual. Observam-se árvores de grande porte e sub-bosque rico em espécies clímax. Devido à localização da Reserva Biológica das Perobas no ecótono entre a Floresta Estacional Semidecidual e a Floresta Ombrófila Mista, espera-se que a fauna da região apresente elementos florestais, de uma, outra ou ambas as tipologias.

Problemas e ameaças

No interior da Reserva Biológica das Perobas ainda há sinais das atividades de caça e extração de palmito-jussara. Armadilhas e acampamentos tem sido destruídos desde a criação da Reserva e infratores tem sido presos pela Polícia Militar Ambiental do Paraná e pela Polícia Federal. A despeito disto, e de proprietários vizinhos informarem a diminuição destas práticas, estas atividades ainda não foram erradicadas da Reserva nem estão restritas a um setor específico. As espécies mais visadas pelos caçadores são a queixada, o cateto, a paca e a anta. Cultivada desde antes da criação da unidade, uma área com aproximadamente 220 hectares permanece recebendo cultura de cana-de-açúcar, já que o processo de desapropriação, já aberto, ainda não foi concluído. As espécies exóticas mais disseminadas são o capim-braquiária e o capim-colonião. Outras espécies, como a manga e a mamona apresentam distribuição pontual e, portanto, possibilidade de erradicação. As áreas com ocorrência crítica de erosão do solo por atividades humanas são a estrada Boiadeira (BR-487), não pavimentada, e a microbacia do córrego Concórdia. A estrada é uma fonte de erosão – neste caso, potencializada pela sua precária manutenção. A microbacia do córrego Concórdia sofre com a falta de vegetação ciliar em muitos trechos. Também verificaram-se processos erosivos na região do córrego Ariranha e do córrego Piçarra, afluente da margem direita do rio dos Índios.

Fontes

ICMBio. 2012. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Plano de Manejo da Reserva Biológica das Perobas. Brasília, 199p.